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Bryan Behr lança seu primeiro EP e já tem luz própria*

*por Juninho Tavares

Há pouco mais de um ano um amigo compartilhou um vídeo de um artista que até então nunca tinha ouvido falar: era o Bryan Behr. Como de costume, fui ouvir pra saber do que se tratava a música daquele jovem com aparência angelical. Enquanto o vídeo carregava confesso que não tinha grandes expectativas, pois diariamente conheço artistas tocando ao vivo no estilo voz e violão e nem sempre isso me faz a cabeça. Dessa vez eu estava completamente enganado, o cartão de visita do Bryan era uma linda canção, bem executada e com uma letra intensa e profunda. De cara me apaixonei pela música dele, pelo timbre de voz adocicado e com um drive que dá um brilho todo especial na sua identidade artística. Aliás, este debute no Youtube em 2017 foi a música “Da Cor do Girassol”, que é a faixa que abre e dá nome ao EP que saiu na última sexta-feira (5). A distribuição digital está a cargo da conceituada Deck Disc.

Produzido no Estúdio Pistache, em Brusque, o EP tem cinco músicas, todas composições do Bryan. O produtor do EP, Davi Carturani, conseguiu manter a essência e sofisticar ainda mais o som dele, potencializando uma das principais qualidades do artista: a intensidade em cantar e tocar a alma das pessoas. A voz e o violão conduzem todas as músicas, mas Carturani também tocou alguns instrumentos nessa produção (violão, baixo, bombo e pandeiro). Outra participação especial foi da cantora Anna Elly, que fez backing vocal em algumas músicas e harmonizou muito bem com a voz do Bryan. Destaca-se também a parte visual do EP, são belas ilustrações do artista Jeff Skas, que deu um enfoque especial pra figura do girassol. Vale a pena adquirir o EP na sua forma física.

“Da cor do Girassol” é uma das letras mais surpreendentes do álbum, como pode um artista tão novo ter escrito algo tão maduro e complexo? “Sei que a vida às vezes perde a cor e parece acabar. Calma, que a alegria tem a cor de uma flor que vai desabrochar. E eu sei, o mundo pede pressa e viver às vezes aparenta ser irreal”. Essa música representa bem a vibe do som do Bryan: violão, voz e poesia. Parece que a música fez mesmo diferença na vida dele, o fez desabrochar para algo maior. Após um período de depressão intensa em 2016 ele começou a compor praticamente todos os dias. Bryan diz que “escrever era e ainda é meu melhor remédio”. “Que o amor distrai a morte, a gente nem sempre é forte pra entender e aceitar”.

“Santa Vaidade” antes de qualquer coisa tem um swing muito especial e dançante. A letra explora e faz refletir sobre os padrões de beleza da atualidade, baseado em aparência e status. “Estavam vendendo vaidade rolando as fotos por aí, meu Deus se eu postar a verdade será que alguém vai me curtir?”. O forte desse som, sem dúvida alguma, é a forma de cantar do Bryan, em especial no refrão. Uma interpretação digna de aplausos: “Ah, o que acontece se eu fechar os meus olhos agora? Ah, beleza bonita aquela que o tempo não leva embora”. A gaita de boca também deu uma textura sonora bem interessante nessa faixa. Embora seja um artista no início de carreira, Bryan vem colecionando fãs por todo o Brasil e suas músicas já tem milhares de views tanto no Youtube quanto nas plataformas digitais, inclusive já tem fã clube com perfil no Instagram.

“Pra Rodar o Mundo com Você” é a terceira música do EP e é um som que fala sobre amor, mas sem ser clichê, muito pelo contrário. Isso é algo que me chama atenção na forma do Bryan compor, ele consegue pegar temáticas já exploradas anteriormente por milhares de artistas e dar uma ótica especial, diferenciada, sempre de forma poética, simples e certeira. “Mesmo que dissessem rapaz não vale a pena, a vida é muito curta pra você fazer poema, eu tenho certeza que sorriria sem responder”. O amor desta música é algo bem grandioso, vai além da relação homem e mulher, é o amor pelo cachorro, pelo filho, pela arte. É o amor pela vida. É o amor saudável e sem contraindicações. “Eu faria tudo pra rodar o mundo com você, pois guardo em você meu amor, só você que vem sem eu pedir por favor”.

“Lúcida” tem uma química perfeita entre a voz de Bryan e os vocais de apoio de Anna Elly. Lindo mesmo. É uma composição leve e suave, que de alguma maneira nos conduz a um plano de paz, é um som literalmente poderoso. “Longe de mim querer ficar, longe de ti tanto tempo, chego mais cedo se precisar, mais tarde adormeço”. Segundo o próprio Bryan, esse som faz referência ao nome Lúcia, fala de amor de uma forma particular e muito bonita. “Há coisas sobre nós tão antigas quanto tudo, tão modernas quanto o amor, tão injustas quanto o mundo”. Outra característica marcante do Bryan Behr e essa música é um exemplo disso, é que ele tem brilho próprio.

Em pouco tempo de carreira, Bryan William de Souza, nascido em Brusque em 20 de maio de 1996, já criou uma identidade, sua voz é inconfundível. O nome “Behr” surgiu da seguinte forma: “uma menina da época de escola que sabia ler a mão das pessoas, um dia ela pegou a minha mão e disse: – Olha só, tá escrito que você vai ser artista e vai se chamar Bryan Behr. Achei engraçado, anos depois, quando procurava por um nome artístico, não poderia ignorar o acontecido, mesmo que não passasse de uma brincadeira entre duas crianças”.

“Vermelho Bordô” encerra de forma magistral o EP. É nesse som que fica ainda mais evidente que a parceria entre o Bryan e o produtor Davi Carturani deu muito certo. É uma música marcante, gostosa pra cantar junto e como todas as outras músicas desse EP, profunda e exala sinceridade. É um dos sons mais divertidos desse trabalho, fala de uma lembrança de um relacionamento e claro, tem muito amor envolvido. “Eu era um tom de vermelho, bem escuro, você um amarelo retrô”. As músicas do Bryan tem uma característica muito rara, é provável que toda a sua família goste e cante as músicas dele. Ele é universal quando o assunto em interesse é o amor. “Desde aquele dia meu coração descompassou, deu saudade de você pintando aquela flor”. A interpretação vocal dele neste último ato também é um grande destaque. Bryan canta a música nitidamente sorrindo e feliz, é impressionante e cativante o tanto de sentimento que o “menino girassol” coloca em suas músicas.

Convido você a apreciar este EP com o coração aberto, apto para receber bons sentimentos, pois é isso que ele tem a oferecer. Bryan Behr é daqueles artistas que tem a dose certa entre o ser popular e o ser artista, faz um som verdadeiro e, assim como o girassol, traz boas vibrações ao ambiente.

Foto: Douglas Kriscinski

*Juninho Tavares é baterista e letrista da banda Etílicos e Sedentos

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

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