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Casa de Noca fecha as portas, mas segue na luta pela cultura

A Casa de Noca está em clima de despedida. O espaço cultural mais democrático de Florianópolis fecha as portas depois de seis anos e cinco meses de batalha, com cerca de 1300 eventos realizados, entre Casa de Noca, Carnaval na Praça, Noca Fora de Casa, festivais, Noca na Rua, entre outras noites musicais, e um público estimado de mais de 200 mil pessoas. A hora do adeus ainda não está definida, mas deve ser entre abril e maio.

Após um breve período de férias, a ideia é voltar à cena como produtora de eventos, segundo Marinho Freire Costa, um dos sócios da Casa de Noca, que citou dois motivos que pesaram para desistir de remar contra a maré. A crise pegou de verdade e fechar as contas estava ficando cada vez mais difícil. Outro ponto é a falta de incentivo à cultura em geral no estado.

É um problema estrutural da cultura, que é o filho preterido. Não há investimento em formação de público, na criação de um palco permanente, o que tem é para cumprir tabela. Falta um investimento real na democratização do acesso à cultura. Quando tem uma empresa que abraça essa bandeira a gente acaba enfrentando um cenário muito mais complexo. Aí mistura com essa dificuldade enfrentada por esse fato da crise, da galera estar sem dinheiro. Para nós 2017 foi um ano de retomada, bem interessante, mas os últimos anos foram bem cruéis.

A importância da Casa de Noca não se restringe à música. O espaço já recebeu exposições e trabalhos de artísticas plásticos e visuais de diversos estados, sediou exposições fotográficas, apresentações teatrais, aulas de dança e oficinas de canto e artes manuais. A empresa também trabalhou em parceria com diversas produtoras, coletivos e projetos sociais, políticos e culturais, e apoiou financeiramente a gravação de álbuns de artistas como François Muleka, Dandara Manoela, Léo Vieira, Caraudácia, Skrotes, etc., e muitos outros produtos.

Mesmo com toda a crise, Marinho acredita que este seja um dos melhores momentos de reconhecimento por parte do público, algo contraditório se levarmos em conta que a empresa está partindo para outro rumo. Como produtora, o objetivo é explorar mais o teatro e o mercado de festivais de música, aproveitando todo o conhecimento adquirido nestes anos de luta na área cultural, que é a herança deixada pela Casa de Noca.

 – Viemos de um fim de ano muito legal, de um carnaval. Se por um lado as coisas não vão tão bem ao fim do mês, temos todo um reconhecimento de um trabalho pioneiro na cidade. Demos espaço para as mais diversas linguagens e diferentes grupos, de pesquisa de afro-brasilidade a festas LGBT. Viramos o principal ponto de circulação artística do Sul do país. Basta comparar com outros espaços. Puxamos um bonde. A Casa de Noca mexeu de uma forma positiva no rolê cultural de Floripa.

Agenda

16/4  – Especial Criolo “Espiral de ilusão” + Sambas de morro

19/4  – Tributo a The Doors por Sky Route

20/4  – Especial Pagode Anos 90

21/4  – Monkey Jhayam + DJ B8 + OCD Sounds

23/4 – Dinamite Combo: Funk Soul Explosion com Gustavo Barreto

26/4 – Floripa Ska Reggae com Aquidasplanta

27/4  – Tributo a Chico Science por Lamaçau

Foto: Cristina Souza

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

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