de baixo 2

Cobalt Blue: Foco no experimentalismo

Foto: Bruno Vieira

Você com certeza já ouviu ou leu a expressão “paga pau de banda gringa”. Eu não fujo dessa regra. Grande parte dos meus grupos favoritos vem de fora, mas isso acontece, acredito, por não encontrar/conhecer o que gostaria de escutar sendo feito por aqui. Com isso, chegamos ao Cobalt Blue, formado há dois anos em Florianópolis.

O poder que a música tem de surpreender é impressionante. Acho que essa é o tipo de coisa que mais prezo em uma banda: a capacidade de fugir do óbvio e mostrar algo inesperado. E esse trio supre as minhas necessidades como fã de música. As cinco composições do EP “Still a Natural Condition”, lançado em abril de 2012, reúnem todas as qualidades que um grupo precisa ter.

Os amigos de infância Júlio Henrique Miotto (vocal, guitarra, baixo, teclados e flauta), Guilherme Colossi (guitarra e baixo) e Felipe Canan (bateria e percussão) apresentam uma sonoridade viajante, tendo como base o rock progressivo, mas sem se perder no experimentalismo, característica principal do Cobalt Blue. Os andamentos diferentes podem causar estranhamento em quem não é familiarizado com o estilo. E a intenção é essa mesmo, segundo Miotto, que produziu o trabalho.

– Às vezes as pessoas vêm com uma ideias “Legal, mas não saquei muito bem. Não tem refrão, a forma das músicas é estranha..” e eu fico feliz pra caramba. Um fato que acho interessante é que as nossas influências são bem diferentes. Talvez não fique tão transparente para quem vê de fora, mas para nós isso fica muito claro no nosso som. Gostamos de muitas coisa diferentes e esses extremos formam uma unidade quando compomos.

“Still Natural Condition” foi gravado em uma casa de campo isolada em Severiano de Almeida, cidade no interior do Rio Grande do Sul com quatro mil habitantes. Como produtor, Miotto sempre acaba achando alguma coisa que possa ser melhorada, mas não tem planos de alterar algo no EP. O objetivo é lançar um disco no primeiro semestre de 2014. Um single pode sair ainda neste ano, como conta o músico, que procura integrantes que possam somar ao Cobalt Blue.

– As composições tiveram tempo de ser trabalhadas, pois não tínhamos hora para nada lá, mas o ponto fraco disso foi que na época gravamos sem recursos. Andamos conversando sobre uma prensagem e quem sabe até vinil para levantar verba para o novo disco que estamos trabalhando, mas ainda é uma possibilidade. Nós nunca tocamos essas músicas ao vivo, pois nenhuma delas é possível de ser tocada em trio. Estamos trabalhando nisso e com certeza faremos shows no ano que vem.

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

6 Comentários

  1. Com todo respeito ao texto e à crítica positiva do autor do texto, não achei nada demais nessa banda. Li antes de ouvir; talvez seja isso. Eu esperava ouvir compassos ímpares, dinâmicas irregulares, enfim... apesar disso o som é totalmente envolvente, com melodias bem bonitas e com uma autenticidade muito clara. Ouviria facilmente o disco inteiro na minha sacada, a noite, bebendo uma bom vinho, refletindo sobre a vida e tal. Parabéns pelo trabalho.
    PS: adorei o nome da banda! =]

  2. Floydiano. Curti bastante.

  3. Muito bom. Gostaria que se apresentassem mais ao vivo.

  4. O som deles é bastante "envolvente", gostei muito do clipe também.

  5. Muito bom! Uma das melhores coisas que escutei por aqui até agora. Como é que faz pra ter acesso à este EP?

    • Ele só foi lançado virtualmente, Frank. Podes baixar no bandcamp.

      http://cobaltblueband.bandcamp.com/album/still-a-natural-condition

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