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Karibu se despede dos palcos com show na Casa de Noca

Após a participação no Circuito SESC de Música, em 2014, quando a Karibu passou por 22 cidades catarinenses, o trio formado por François Muleka (voz e violão), Trovão Rocha (baixo) e Max Tommasi (bateria) começou a se preparar para a despedida dos palcos. Nesta sexta-feira (22), a banda faz o seu último show na Casa de Noca, na Lagoa da Conceição, e lança o primeiro single do CD ao vivo da turnê, “Desempenho”, que você confere em primeira mão no Rifferama.

O portal conversou com o baixista Trovão Rocha, que falou sobre o clima nos ensaios, a contribuição da Karibu, formada em 2010, para o cenário da música autoral de Santa Catarina, e o sentimento de dar adeus a um projeto que foi importante na vida de muita gente. O show terá as participações especiais de Francis Pedemonte, Marissol Mwaba, Cristiano Forte e “mais umas surpresas”.

Rifferama – Lembras quando rolou o último show da Karibu?

Trovão Rocha – O último show da Karibu foi em 2015, se não me engano, no Biruta, espaço da Jana Gularte que já não existe mais. Fizemos um experimento de um outro jeito de tocar, com novos arranjos e outra sonoridade, mas acabou que não demos continuidade. Também fizemos uns shows menores, na Nossa Mistura e outras festas que convidaram a gente, mas sempre coisas mais curtas.

Rifferama – Como foram os ensaios de preparação para o show? Vão tocar o disco na íntegra?

Trovão Rocha – Os ensaios foram muito bons. Levantamos o repertório inteiro de novo, colocando nos arranjos originais, feitos há cinco anos, um pouquinho de quem somos hoje. É a primeira vez que vamos tocar o disco todo em um show. O repertório que tocamos com a Karibu tem 24 músicas, então sempre variamos bastante e deixamos uma ou outra de fora. Dessa vez como será a última resolvemos colocar todo o CD no show. Teremos as participações do pessoal que fez parte da história da banda como o Francis Pedemonte, que é o quarto integrante do grupo, o cara que faz tudo acontecer, a Marissol Mwaba, que gravou o álbum e está sempre com a gente, o Cristiano Forte, parceiro que fez a turnê de 2014, e mais umas surpresas.

Rifferama – Como foram esses anos tocando com o François e o Max?

Trovão Rocha – Tocar com o Fran e o Max é uma escola até hoje. O Max é um grande pesquisador, o que faz ele ter todo tipo de influência na hora de criar os grooves. Aproveitava muito quando os ensaios eram lá na Casa da Música. Tinha toda a coleção de vinis disponível, com aquelas gravações que você nunca ouviu na vida, aquele som novo que saiu e ninguém conhece. O Fran, além da pessoa que ele é, as coisas que ele escreve, que me fazem sempre pensar e olhar a vida por outra perspectiva, tem a parte da música. O Fran é muito diferente, os resultados que ele alcança com as composições, na parte musica, é muito surpreendente. Se for levar em conta o que ele tem de estudo e recurso, dai fica inimaginável. É coisa de mestre mesmo, sempre tocando super naturalmente as coisas mais complexas e cantando uma coisa ainda mais natural por cima. Toda música nova uma surpresa. Sou fã.

Rifferama – Qual a contribuição a Karibu fez ao cenário da música autoral da região?

Trovão Rocha – Eu enxergo a Karibu como parte de um movimento de música autoral que rolou em Floripa, todo mundo em nossa volta, todos começando que nem a gente, mas com o interesse em compor e colocar as suas músicas no show. Várias coisas contribuíam para isso: a força do 12:30 na época, o Festival de Música da UFSC, o Projeto Misturada, o começo da Casa de Noca e a própria cena de música em Floripa. Por exemplo, lembro de uma época em 2010 que tinha jazz todo dia da semana em um lugar, isso na cena de música instrumental, que tradicionalmente tem menos coisas rolando.

Rifferama – E qual o sentimento desse último show?

Trovão Rocha – O último é uma conversa que a gente tem já faz um tempo. Tem um monte de coisa legal preparada e mais importante para fechar esse ciclo de um monte de coisa boa que a gente viveu e produziu juntos e dar espaço para outras que estão aparecendo. Pra fechar, além do show de encerramento, também vai sair o CD que foi gravado ao vivo durante a turnê, produzido pelo Francis Pedemonte e com a participação do Cristiano Forte na bateria. Ficamos esperando o momento para lançar esse material e acho que o momento é esse. Esperamos todo mundo lá na Noca pra participar desse fechamento com a gente. Vai ser lindo e vai dar saudade.

Foto: Carlos Eduardo Carvalho

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

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