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Morre Tha Gattha, um dos pioneiros do rap em Santa Catarina

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O rap de Santa Catarina está de luto. Maykon Coutinho, o Tha Gattha, ex-Último Parágrafo e Realidade Suburbana, e conhecido pelo seu trabalho com o histórico grupo Negrociação, de Florianópolis, faleceu em Santa Bárbara d’Oeste (SP). Segundo Leonardo Vieira (Rapper Nado), amigo próximo do MC, o seu corpo foi encontrado no último sábado (5). A informação é que Tha Gattha teve uma morte súbita (morreu dormindo) e estava há alguns dias sem vida quando a família descobriu.

O Negrociação, formado em 1999, ostenta um grande feito: o clipe de “Drogas e armas”, do primeiro disco “Sobre a fumaça da pistola” (2001), foi lançado em 2003 no programa Yô!, da MTV Brasil, que na época era apresentado por Thaíde, com direito a presença do trio no estúdio. O grupo ainda gravou outros três álbuns, sendo o último em 2013, fez grandes shows e também se apresentou no Planeta Atlântida de 2004, dividindo o palco com Racionais MC’s, MV Bill, BNegão, Realidade SBA, entre outros.

Nas redes sociais, amigos e fãs se despediram de Tha Gattha, e o Rifferama coletou alguns depoimentos para homenagear esse grande nome do rap de Santa Catarina:

Edsoul (jornalista e ex-Realidade Suburbana): “O Tha Gattha teve a primeira oportunidade da vida dele no rap quando eu saí do Realidade Suburbana e o deixei no lugar para se inserir de fato no movimento. Ele fez parte de uma fase muito especial, era um puta artista e uma pena que a gente o tenha perdido e que ele tenha se perdido em algum momento. Era muito talentoso, mas infelizmente se perdeu um pouco no caminho. Faltou uma galera valorizar ele também”.

Alexei Leão (produtor musical): “Posso dizer que o Tha Gattha foi um precursor no estilo gangsta rap em Santa Catarina. Um cara que fez parte do Realidade Suburbana no final dos anos 90, possivelmente o maior grupo do estilo na época, saiu e montou um trabalhou sólido. Ele influenciou muita gente, principalmente nos anos 2000. Apesar de não ter mais contato com ele nos últimos anos, é com certeza uma grande perda para o rap de SC”.

Negro Rudhy (rapper e apresentador do programa Gueto em Foco): “A notícia da sua morte se espalhou pela cidade, pegando todos de surpresa. O Tha Gattha era conhecido por suas rimas contundentes, “OG”, como são intitulados os verdadeiros rappers gangstas, e ele era um deles. O rapper que elevou o rap catarinense em nível nacional, sendo o único catarinense a ir ao programa Yô!-MTV. Respeito pela história e por todo o seu legado deixado no movimento hip hop de SC”.

Marcelo Mancha (músico e jornalista): “Conheci o Tha Gattha na virada pros anos 2000. Era uma cena do rap que estava começando a colher os primeiros frutos dos pioneiros. Foi um dos primeiros caras que vivia o visual do rap o dia todo, usava umas camisas de basquete, umas bandanas, umas tranças estilo Snoop Doog, não era só na hora do show ou da entrevista. O Tha Gattha plantou uma semente muito legal ao lado de outros grupos, como o Realidade Suburbana e Squadrão da Rima, nesse movimento de levantar o rap catarinense”.

Leonardo Vieira (Rapper Nado): “Perdemos um grande representante da música do gueto. Rapper, negro, poeta, incentivador, representou Florianópolis e mostrou que a “Cidade dos sonhos” também tinha favelas, racismo, crime e todos os tipos de problemas que nascem da desigualdade social. Sem palavras para descrever o tamanho da tristeza. Ele foi trocar ideia com o 2Pac. A bandana era inspiração, ele era fãnzaço dele. O Tha Gattha realizou um dos meus sonhos que era cantar na abertura de um show dos Racionais MC’s. Foram três vezes em cidades diferentes nos shows do Negrociação. Muito aprendizado. Aprendi que sempre podemos fortalecer alguém artisticamente. Sei que estava passando por tempestades, mas foi forte até o último sopro de vento contra, um guerreiro”.

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

Um comentário

  1. Meu deus com ele apreendi muitas coisas fui fiel amiga dele...durante muitos anos...nos lado a lado...passemos altos e baixos...conheço cada letra música e tdo q havia de melhor do Negão...
    Nunca tive um amigo tão importante como ele.
    Muitas risadas muitas brigas uma amizade longa e sincera...
    Um Verdadeiro Guerreiro...Amantes das Rimas...
    Deus tenha um bom lugar pra ele meu coração ta de luto

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