Foto: Beatriz Perini

Rifferama Entrevista: Boogarins

Foto: Beatriz Perini

Em março deste ano, o Boogarins se apresentou para uma Célula Showcase lotada. Na ocasião, o Rifferama entrevistou o guitarrista e vocalista Dinho (Fernando Almeida), mas, por motivos que não valem ser citados, o bate-papo ficou nos arquivos, esperando o momento de ser divulgado. Pois bem, nesta quinta-feira (15) o quarteto de Goiânia está de volta para encantar os fãs de Florianópolis, com abertura da Jambock Sul, de Lages.

Desde então, a banda fez mais de 50 shows, a maioria nos Estados Unidos, mas Dinho, Benke Ferraz (guitarra e sintetizadores), Raphael Vaz Costa (baixo) e Ynaiã Benthroldo (bateria, ex-Macaco Bong) também levaram o seu som para o Canadá, México, Espanha e Portugal, onde tocaram no Rock In Rio Lisboa. O vocalista falou sobre o sonho de poder viver de música, a conexão com o público, a cena de Goiânia, entre outras curiosidades.

Repercussão do “Manual” (2015) e atual momento da banda

“Nos shows que temos feito, tem gente que diz que escuta o álbum todo dia, tem pessoas cantando as músicas em todos os shows. Os primeiros shows que fizemos foram na Europa e tinha muita gente interessada nos discos, levando para assinar. Estamos alcançando as pessoas. Essa resposta está sendo bem bacana. Ninguém falou mal, não sei se é bom ou ruim. Acredito no que fazemos.

O que mudou? Quando viu que deu certo?

“Nossa rotina, nossa dinâmica de vida mudou pra caralho. Agora só tocamos, nos viramos para isso. Temos feito shows sem parar desde 2014, é um fluxo meio sinistro. Está rolando. Não é um show, uma coisa só, que você vai perceber. A continuidade é o que faz ver que está acontecendo”.

Cena de Goiânia

“Não sei se é a (cena) mais forte do Brasil. É uma cidade que se dá muito bem por não ter um histórico muito grande de música em geral, como São Paulo ou Rio de Janeiro. Certas cidades já são engessadas. A galera mira numas coisas e acaba se perdendo querendo o sucesso, ou querendo chegar num certo lugar, e acaba perdendo o criar. Nossa cena é massa, mas algumas bandas estão ali só para tocar no festival que acontece três vezes no ano. Tocar por tocar não é um problema, mas chega um momento em que parece que a coisa não gera nada e fica nesse loop, aí a banda acaba. Falta um compromisso além do tocar, ter uma cara própria. Esperamos ver esse amadurecimento”.

Fazer música em inglês

Não tenho esse estalo de fazer música em inglês. Não é uma coisa que acharia ruim se tivéssemos uma boa ideia. O natural tem sido fazer em português, temos conseguido trabalhar dessa forma. Em nenhum momento fizemos música pensando em pular barreiras de público. Somos uma banda de três anos que conseguiu atingir muita gente. Nunca pensamos, já conversamos sobre, mas a nossa preocupação é fazer música boa.

Vivendo um sonho

“É cansativo, um trabalho como qualquer outro. Talvez seja um sonho de trabalho. Cansa igual, muitos dias sem dormir direito, enfiando a cara em vários bagulhos. Todo mundo que está na música já teve algum momento em que trabalhou muito. Todo mundo tem um momento quente, e esse é o nosso. Estamos atacando em todas as frentes que podemos. Queremos ter energia para continuar metendo a cara nos shows e vamos tentar gravar algumas coisas novas”.

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

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