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Rifferama Entrevista: Da Caverna

Não é qualquer banda que completa 10 anos. Ainda mais tocando rock and roll. Prestes a lançar um novo disco e uma cachaça, o Da Caverna, dos irmãos Zimmermann, que assopra velinhas no dia 7 de setembro, comemora a data em alto estilo no River Rock. A apresentação do trio formado por Vina (guitarra e vocal), Vitu (baixo e vocal) e Lelé (bateria e vocal) acontece nesse domingo, às 10h, no Motódromo de Indaial. A entrevista com o Vina ficou tão boa que fiquei com pena de desmanchar tudo em uma matéria.

Rifferama – Como é comemorar 10 anos de banda? Achavas que duraria esse tempo todo no começo?

Vina Da Caverna – Posso dizer que é ter maturidade musical, mas não é esse o caso da banda! Na verdade, o legal de comemorar 10 anos é saber que a gente teve cara de pau de chegar até aqui fazendo o tipo de arte que faz. E mais ainda, ver que a galera curte a nossa bagunça. Sabíamos que era um projeto vitalício na hora que acabou o primeiro ensaio, pois como a banda é composta somente por irmãos, fica fácil ter esse tipo de previsão.

Mesmo que quebremos o pau, vamos ter no mínimo Natal, Páscoa e demais encontros de família pra se esbarrar e ter que se aturar! O legal é que entendemos o limite de cada um e já aprendemos ao longo da vida a não forçá-los e tirar o melhor proveito dessa liberdade que a vivência em família nos deu. Hoje estamos cada um no seu canto, emancipados, mas os ensaios ainda rolam lá em São Pedro de Alcântara, na casa dos coroas!

Rifferama – O que dá para falar sobre o novo disco, sobre a sonoridade dele? Como foi o processo de gravação e qual o prazo de lançamento?

Vina Da Carvena – A gravação do disco foi uma delícia! Uma maravilha poder pela primeira vez fazer tudo em casa, sem ter que se preocupar com taxímetro de e$túdio correndo, poder parar de trampar na hora em que acaba o tesão e voltar quando está inspirado. Sem falar nos ranguinhos da mamãe nas pausas e, também, não ficar à mercê das técnicas e vícios dos produtores, correndo atrás e aprendendo como se faz. A sonoridade vai vir bem crua. Válvulas trincando, bateria violenta, baixos gordos… Com os dois pés cravados no vintage e o mínimo de inclinação necessária a tecnologias para se digitalizar um áudio.

O processo foi inspirado no Exile On Main St., dos Stones. Os caras se trancaram num castelo e exploraram os ambientes, só que nossos castelos foram as casas da mãe e a da vó! Takes em quartos, salas, banheiro, corredor… Uma pira de explorar o som mesmo e ver seus resultados. Mas em suma é um disco de estúdio que a gente viajou no processo e nas possibilidades, mas ao vivo é que o bolo vem com cereja no nosso trabalho! Nunca poderemos ser definidos pelos discos, mas sim pelos shows. O lançamento está previsto para 7 de setembro na web, e o show será na sexta-feira 13 de setembro, numa solenidade Cavernosa na Casa de Noca.

Rifferama – E a expectativa para tocar no River?

Vina Da Caverna – No River Rock a gente se sente em casa (embora na barraca!). Estamos com uma expectativa bem legal pra voltar a tocar lá, afinal esse vai ser nosso 4º show lá, e dessa vez vamos tocar no mesmo palco que o Sepultura, assim como sempre foi tesão ter o nosso rock junto de artistas expressivos pra nossa história e formação, como foi com alguns fodões da velha guarda tais quais Velhas Virgens, Marcelo Nova, Patrulha do Espaço, Cólera, Made In Brasil, Bixo da Seda, etc! E também rever amigos de estrada, nossos colegas do barulho contemporâneo, que lutam na mesma gana pra mostrar o seu trampo. Com certeza vamos encontrar lá amigos que nos acompanham nesses 10 anos e essa que é a melhor parte de todas. Amigos que vêm e ficam.

Rifferama – Nesses 10 anos, qual foi o melhor momento do Da Caverna?

Vina Da Caverna – Não dá pra identificar o melhor momento da banda, pois foi tudo tão divertido e suado na mesma intensidade que seria sacanagem destacar algum momento, mas creio que o período inicial em que a banda fazia shows em festivais como Rural Rock Fest, Tschumistock, Orquídea Negra, River Rock, etc., e também em encontros de motoclubes, pois esses lugares sempre foram abertos ao trabalho autoral e à atmosfera musical da banda. Legal lembrar os tempos de Clube da Luta também, onde um monte de bandas da Grande Florianópolis se uniu em prol de divulgar seus trabalhos. Foi fundamental essa troca com a galera pro nosso desenvolvimento e uma honra participar desse momento histórico pra arte da cidade.

Outro coisa legal foi a relação da banda com o movimento cultural dentro da UFSC, onde a gente se projetou em massa para cabeças abertas e interessantes! Foi uma honra encerrar o 1º UFSCTOCK e botar a galera pra sapatear na lama… Tocamos em algumas Calouradas do DCE (Diretório Central dos Estudantes), festas do Movimento Passe Livre, e em alguns congressos nacionais promovidos por centros acadêmicos, eventos pra muvucas de queridos, como a gente gosta. A UFSC sempre vai ser nosso palco preferido! A nossa relação com o Fora do Eixo foi fundamental também. Atuar em rede com artistas e produtores do Brasil inteiro foi muito rico pra gente.

Rifferama – E o pior?

Vina Da Caverna – O pior momento com certeza foi em 2006, quando tive um problema de saúde e a banda teve um recesso de um ano. Fui internado no 29 de janeiro e tive alta no dia 21 de abril, meu segundo aniversário! (Tiradentes!) Comemoro todos os dias, só pra não esquecer que já estou no bônus!

Rifferama – Como avalias essa veia humorística da banda (veja o vídeo abaixo)?

Vina da Caverna – Chegamos à conclusão que o cerne do nosso trabalho é o riso e a dança. Os corpos têm que agitar suas moléculas, e as bocas precisam sorrir. Ou seja, “alegrar jovens de todas as idades!”. Embora a gente amadureça com o tempo, esse vai ser sempre o norte pra concepção estética do nosso trabalho: humor “inteligente” e alto BPM (batidas por minuto)!.

Rifferama – E a cachaça?

Vina Da Caverna – Está para sair a Cachaça Da Caverna, direto dos alambiques seculares master de São Pedro de Alcântara, de famílias com tradição em produção de cana fina pra mamar, de bater na cara de quem queira fazer caipira (mas cada um com sua pira, né?) Mas ai já é outra notícia!

Rifferama – Pra fechar a entrevista… Qual o teu riff preferido?

Vina Da Caverna – Riff Raff, do AC/DC. Gosto muito também de Can’t You Hear Me Knocking e She’s So Cold, dos Stones. Mas pode colocar Riff Raff, do If You Want Blood.

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

3 Comentários

  1. Sou aqui, "das área", e nunca ouvi falar nos caras! bem bacana o som. Legal saber que está saindo um rock n roll aqui! Dia 13 de setembro já está agendado. Vamos conhecer de perto isso aí!

  2. Muito bom o papo com o Vina. Muito bom esse espaço pra rapaziada daqui mostrar sua arte, como é o caso da galera do Da Caverna que está ai há dez anos na luta!!!

    parabéns

  3. Muito legal o som dos caras, tomara que a cachaça siga a fórmula... E vamo pro boteco ouvir rock n' roll!

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