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“Pelas Ruas das Américas”, terceiro álbum dos Outros Bárbaros, lançado na última sexta-feira (6), inaugura uma nova fase para a banda de Florianópolis. Agora em trio, Maurício Peixoto (voz e guitarra), Eduardo Lehr (baixo) e Marco Mibach (bateria e percussão) buscaram mais referências na música brasileira, mistura que começou no disco “Interlúdio na beira do caos”, de 2022. O discurso politizado é o elemento que conecta a obra do grupo ao registro, que apresenta dez faixas, incluindo os singles “Fortaleza hostil” e “Nós dois”, já divulgados nas plataformas digitais, mais a bônus “Brasil Criança” (2023): todas as músicas foram escritas por Peixoto, exceto “Sem paz, sem chão”, parceria na letra com Neno Moura, “Bicho acuado”, que traz os versos de Jean Mafra, e “Alucinação”, do cantor e compositor Belchior (1946–2017). A produção foi registrada em um minidocumentário divulgado na mesma data do álbum. A direção do audiovisual ficou a cargo de Antonio Rossa.
Gravado no Bárbaro Estúdio, no Canto da Lagoa, o registro foi mixado e masterizado por Alexei Leão em Setúbal, Portugal. O ex-integrante Diego Stecanela gravou a faixa título e quem também somou nas teclas foi Donatinho, participação especial em “Enfim, renascerá” (piano elétrico e sintetizadores) — confira a ficha técnica abaixo. Hemerson Calandrini assina os arranjos de metais nas músicas “Pelas Ruas das Américas”, “Sem paz, sem chão” e “Cheguei, cadê você?”, que contam com o seu trombone e o trompete de Rafael Almir da Silva. O percussionista Alexandre Damaria (pandeiro) fecha o time de convidados em “Sem paz, sem chão”. Segundo Peixoto, a estética mais brasileira do disco representa as influências da banda. “De um modo geral, a música brasileira está bem presente, acho que até de um modo mais abrangente que nos outros trabalhos, com uma vibe MPB anos 70. Por isso essa opção estética com mais ambiência sonora. Esse álbum representa bastante do que a gente gosta, é um grande quebra-cabeça, um caleidoscópio. São músicas que eu não tinha trazido para a banda ainda. Os singles que lançamos talvez sejam as coisas mais parecidas com o que a gente fazia, nas outras estamos indo para lados que exploramos pouco, de outras influências”, comentou o vocalista e guitarrista.
Com o lançamento do single “Brasil Criança” no fim de 2023, o objetivo dos Outros Bárbaros era começar a produção do álbum no ano seguinte, mas os trabalhos foram paralisados por alguns motivos, incluindo um tributo a Belchior que a banda levou para os palcos da região. Regravar a clássica “Alucinação”, faixa título do disco que completa 50 anos em 2026, fazia muito sentido, principalmente por simbolizar a sonoridade que o grupo buscou em “Pelas Ruas das Américas”. A inclusão da música no repertório foi aprovada pela família do artista. “É um artista que todos na banda gostam muito, fizemos um tributo especial ao disco “Alucinação”, que a gente tocava na íntegra e mesclava com músicas nossas. Quando estávamos trabalhando no álbum novo surgiu a ideia de fazer uma versão para essa canção. Queríamos uma música que não fosse uma marca registrada na voz de outra pessoa e que também não fosse uma muito lado B. Fomos atrás da editora que cuida da obra dele e mandamos a versão, os herdeiros precisavam aprovar para liberar ou não, mas eles foram super solícitos e a resposta veio bem rápido”, explicou Peixoto.
Ficha técnica
Produção: Maurício Peixoto (Bárbaro Estúdio, Florianópolis)
Mixagem e masterização: Alexei Leão (AML Estúdio, Setúbal/Portugal)
Eduardo Lehr: Baixo
Marco Mibach: Bateria, shaker, timbales, tamborim e pandeiroe
Maurício Peixoto: Voz, backing vocal, guitarra, violão, hammond, rhodes, mellotron, sintetizador e programações
Arranjos de metais: Hermerson Calandrini
Participações: Alexandre Damaria (pandeiro em “Sem paz, sem chão”); Diego Stecanella (hammond e rhodes em “Pelas Ruas das Américas”); Hemerson Calandrini (trombone em “Pelas Ruas das Américas”, “Sem paz, sem chão e “Cheguei, cadê você?”); Donatinho: (rhodes e sintetizadores em “Enfim renascerá”);
Rafael Almir da Silva (trompete em “Pelas Ruas das Américas”, “Sem paz, sem chão” e “Cheguei, cadê você?”)
Participações em “Brasil Criança”: Diego Stecanella (rhodes, hammond, clavinete, sintetizador e coro); Rafael Almir da Silva (trompete e flugelhorn); vocais e coro por Ammora Alves, Bezão e Léo Marelua; coro por Gabriela Drehmer, Richard Bondan, Thassia de Menezes e Yuri Witte
Design gráfico: Maurício Peixoto
Fotos: Manu d’Eça
Assessoria de playlists: Fernanda Azambuja

