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Com mais guitarra e peso, Pedro Vulpe produz EP “Mayfly”

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Depois do lançamento do single “Life of Dreaming”, em 2022, o cantor e compositor Pedro Vulpe, mafrense radicado em São Paulo, se dedicou a outros projetos, sobretudo o teatro musical. Entre 2023 e 2024, o artista participou como guitarrista de duas peças, “Once”, montagem brasileira de espetáculo renomado da Broadway, e “Bosque dos sonâmbulos”. Outra experiência marcante do catarinense foi se apresentar na abertura do São Paulo Fashion Week, o maior evento de moda do país, que em 2025 completou 30 anos de história — na ocasião, Vulpe tocou pela primeira vez a canção “Lonely Second”, uma das quatro faixas do EP “Mayfly”. O material, divulgado no dia 30 de outubro nas plataformas digitais, marca a retomada da carreira solo do músico, que soma outros dois registros nesse formato, “Zam” e “Move”, lançados em 2016 e 2020, respectivamente.

O título do EP foi inspirado na história da feminista Lilian Bland (1878–1971), que no começo do século XX projetou, construiu e pilotou uma aeronave na Irlanda, batizada de “Mayfly” (pode ser que voe), contrariando a todos. O compositor conheceu a personagem no livro “História de ninar para garotas rebeldes”, que lia para a sua filha, Laura. “Eu gosto muito dessa história, essa ideia de não aceitar o não é uma afirmação diária como artista para mim. Não posso me conformar, eu já teria parado há muito tempo”, contou. Pela primeira vez, Vulpe gravou um repertório todo em inglês. A estética do EP, produzido por Eziquiel Augustin, que também gravou bateria e teclados, se distancia do “fofolk” ou pop leve, com mais guitarras e peso. “Mayfly” foi feito em Mafra, terra natal do artista, que além dos vocais e violão, tocou guitarra e baixo; Cleiton Felix (guitarra e violão) fecha o time. Em contato com o Rifferama, Pedro Vulpe falou que essa sonoridade mais de banda deve ser seguida em seu próximo trabalho, um projeto maior.

— É uma ideia que comecei a explorar no “Mayfly” e até o final do ano vou poder contar um pouco mais disso. Testei mais coisas nessa nova leva de músicas, mais guitarra, uma bateria mais firme. É uma linguagem que me contempla, gosto de pegar o violão e ficar gritando por 1h30, ao mesmo tempo que tenho referência de gente que faz isso com peso nas músicas. Quis trazer essa gana no arranjo das músicas, é o primeiro trabalho que lancei com esse conceito de banda, de arranjar as músicas com esse tamanho. Não quero ficar me repetindo, quis unificar o trabalho com o idioma por uma questão, foi o que fluiu no momento, não foi um cuidado estético. Toda a minha preocupação estética foi com o instrumental, de mostrar uma versatilidade sem me descaracterizar. Quero manter as minhas gravações na minha cidade, gravando com o pé na grama, tomando chimarrão e falando bobagem com o meu produtor. Isso é luxo. 

Foto: Luciene Masui

Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

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