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Mang consolida estética própria no álbum “Os loucos anos 20”

O Rifferama tem o apoio cultural de 30 Por SegundoCamerata Florianópolis e TUM Festival


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“Os loucos anos 20”, álbum de estreia da Mang, foi lançado em três partes durante o ano que passou. A banda de Florianópolis criou um conceito para o disco, que aborda assuntos como crise política, colapso climático, os malefícios da Internet, entre outros temas, mas, principalmente, forjou uma estética própria, que combina ritmos brasileiros como samba, baião e xote, mais o peso do rock e a leveza do folk. Gravado no Studio 186, por Misael Pacheco, o registro apresenta Lucas Thys (voz, guitarra e violão), Pedro Germer (guitarra), Tomás Marchioro (baixo) e Gustavo Grillo (bateria e voz) consolidando uma sonoridade — é a fotografia daquele momento. “Teve uma melhora no nosso processo da primeira para a terceira sessão de gravação. Esse álbum tem essa característica temporal, mas identitária, é um prisma da Mang em 2025. Formar uma identidade musical e visual foi uma grande vitória”, comentou o baterista.

A contribuição de Gustavo Grillo como compositor ajuda a entender a diversidade de estilos do álbum. Autor de três das dez faixas (as outras sete foram escritas por Lucas Thys), “Cavaleiro de papel”, que tem um videoclipe em produção, é pesada, mas de raiz folk, a psicodélica “Vampiro da década passada” e seus mais de oito minutos de duração, e “Muralha” (o vocalista assina parte da letra), que traz uma levada regional. Músico já reconhecido pela técnica e versatilidade com a banda instrumental Grillo e os Mosquitos, em que toca ao lado do guitarrista Pedro Germer, o baterista, além de poder falar sobre como se sente no mundo, questão recorrente em “Os loucos anos 20”, pela primeira vez atua como intérprete. Em contato com o Rifferama, Gustavo Grillo falou sobre a sua relação com o folk e a oportunidade de exercer uma nova função como artista.

— É um momento de exposição pra mim, pessoalmente. Tocar bateria, seja na Grillo ou em outras bandas, é um processo diferente de colocar a voz, uma coisa que nunca fiz publicamente. A minha poesia também. É algo novo. Tenho músicas há muitos anos, acho que agora foi um momento de maturidade na vida, emocional, e tudo, o que quero falar sobre. Todo esse processo foi muito legal. Sempre gostei muito de folk, de bandas indie folk e várias referências antigas, de voz e violão, e poder externalizar isso e jogar para o mundo foi uma realização. Veio com muitas dificuldades no sentido de como vou cantar e tocar bateria, eu nunca cantei de fato, se fosse só cantar já seria difícil, mas fui me aceitando nas limitações que tenho e tentar tirar o máximo delas. Comecei tocando violão e as minhas composições vêm desse lugar, diferente da bateria, que sempre tento compreender e ser o mais proficiente possível, o violão é um lugar onde olho mais pra dentro, é uma relação um pouco diferente, mais livre. Quero trabalhar e poder me expressar, deixar alguma coisa, é uma grande parte de mim.

Ficha técnica

Gravação, mixagem e masterização: Misael Pacheco (Studio 186)
Voz, guitarra e violão: Lucas Thys
Guitarra: Pedro Germer
Baixo: Tomás Marchioro
Bateria e voz: Gustavo Grillo
Arte da capa: Artur Paz
Foto: Alice Schmitx

Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

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