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Matheus Laurentino celebra seus mestres e terra natal em EP

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Com mais de dez anos de trajetória atuando como intérprete e concertista de violão solo, arranjador e professor, Matheus Laurentino divulgou em novembro o seu primeiro registro, “Lagoa Mirim”. Com quatro faixas autorais e uma versão para o clássico “Brejeiro” (1893), do compositor e pianista Ernesto Nazareth (1863–1934), o EP traz o artista de Imbituba acompanhado por Rodrigo Villanueva (cajón) e Israel Andrade “Libertu” (clarinete e pandeiro), que também assina a produção do material. O registro foi viabilizado pela PNAB (Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura) e captado no estúdio Laranja Crava Records, com engenharia de áudio de Joel Ramos. Nas faixas em que Laurentino toca com outros instrumentistas, não houve edição (sem gravações adicionais, os chamados overdub), priorizando uma interação mais viva entre os músicos, sendo possível ouvir os temas na sua forma real, sem correções.

“Lagoa Mirim” retrata as influências de Matheus Laurentino como violonista e explora algumas das linguagens que estudou, como choro, samba e chamamé. As composições têm referências não só musicais, mas também foram inspiradas por características e lugares da cidade natal do músico, como a faixa título, que foi escrita durante a pandemia em uma das idas de Laurentino ao local, ou “Vento Nordeste”, fenômeno comum na região. “Aqui tem esse vento que a gente chama de Nordeste, que é fortíssimo. Estava em casa estudando, o vento batendo janela, e me veio essa melodia, foi surgindo a peça toda. As músicas têm essa vibe de explorar coisas que eu estava estudando na época e a influência dos violonistas. Eu não penso no que vou compor, elas vêm. “Lagoa Mirim” literalmente aconteceu isso, estava fazendo um som na lagoa e tinha um grilo em mim, aí fiz uma levada de samba e choro e ela foi aparecendo na mão”, afirmou. Em contato com o Rifferama, Matheus Laurentino falou sobre o seu histórico na música e a homenagem a Ernesto Nazareth.

— Comecei a tocar guitarra com 11 anos e quando decidi que queria fazer faculdade na Udesc, eu caí de cabeça no violão erudito, me apaixonei, mas sempre fui do improviso por causa da guitarra e isso me levou para o violão brasileiro. O sete cordas apareceu na minha mão com 17 anos e comecei a estudar, tirar peças, e dar aula. Passei no vestibular, mas também busquei muita coisa por conta própria, sem o método eu fui criando esse método. Precisava de um direcionamento. Eu tirava coisas que às vezes esquecia ou não ficava bem na mão e isso foi me dando material para criação. As músicas partem desse meu estudo do violão brasileiro, tocando, tateando, eu comecei a compor quando comecei a tocar violão. Escolhendo “Brejeiro”, eu tiro o chapéu para os grandes músicos que estou sempre estudando e tento olhar para cima, botar para fora outras coisas. O violão solo é uma coisa muito de desapego, sempre tem uma coisa ou outra para arrumar, mas fizemos o projeto e lançamos. 

Foto: Raul Silter

Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

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