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“Mercúri049” antecipa estética do novo álbum de XxJASPERxX

O Rifferama tem o apoio cultural de 30 Por SegundoCamerata Florianópolis e TUM Festival


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Chapecó não estava preparada para uma artista disruptiva como XxJASPERxX. Tanto é que a drag queen, cantora e compositora está deixando a região onde viveu desde os dez anos de idade — é natural do Mato Grosso. Se “Ilha de calor” (2022), seu primeiro álbum, representava uma cidade, “Mercúri049”, lançado em 22 de fevereiro nas plataformas digitais, simboliza a estrada que a leva para a saída desse local. Com cinco faixas distribuídas em menos de 14 minutos, o EP é urgente e tem uma sonoridade sintética, pesada, suja, repetitiva, acelerada, mas também melódica e com letras meias palavras. “Mercúrio049” é a introdução do conceito e estética do seu segundo álbum, “Rodovias longitudinais”. O trabalho deve sair ainda em 2026 e representa a sua retirada de uma cena local que limitada e também a busca por uma posição de destaque em nível nacional.

Com influências de artistas como SOPHIE, 100 Gecs, Dorian Electra, entre outros, XxJASPERxX leva o seu hyperpop para outro patamar em “Mercúri049”. O EP tem produção da baiana JESKA, que é conhecida pelo trabalho com Pabllo Vittar no álbum “Batidão tropical vol. 2” (2024). Associado ao eletrônico, o hyperpop pode trazer elementos de outros estilos musicais e é marcado pelo exagero, estético e visual e também um espaço seguro para a comunidade LGBTQIA+, assim como o pop. “Não tem necessariamente um gênero definido. É mais voltado para as baladas e tudo mais, mas ele não deixa de ser um exagero do que é a música pop. Ele filtra esses signos específicos e transforma em algo mais intenso e caricato. É elevar o pop a um patamar extremo. O pop sempre foi muito vívido, sexual, positivo, um espaço seguro para nós. O hyperpop vem daí, fazendo algo nosso, é aquilo que a gente consome, só que de nós para nós”, explicou. Em contato com o Rifferama, a artista falou sobre os novos trabalhos e da relação com a cidade.

Meu trabalho busca a construção de identidade e mundo queer através da utilização de artifícios sintéticos. Por meio da minha persona e sonoridade, quero expandir minha existência. E é isso que esse novo EP significa: mostrar que nossa identidade é muito mais expansiva do que nosso físico permite ser. Eu faço meus trabalhos em São Paulo ou em outras capitais como Porto Alegre e Florianópolis. Não estou mais conectada com a cena de Chapecó, andei me abstraindo para poder evoluir e produzir esse projeto que venho há dois ou três anos trabalhando, focando a minha energia em espaços maiores. No EP falo disso, estou aqui para fazer o meu e acabo virando um espelho para essas pessoas, o que elas veem em mim estão vendo nelas. Se acham problema em mim é porque não estão contentes com elas mesmas. Em “Mercúri049” estou dando ênfase entre pessoas que já foram mais próximas de mim.

Foto: Matheus Moraes

Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

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