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“No mesmo gueto que você me esqueceu”, terceiro álbum de Negro Rudhy, lançado no dia 20 de janeiro nas plataformas digitais, já é um marco para o rap catarinense. O registro, que tem nove faixas, une um representante da velha escola, que batalha desde 1999 nesse cenário com o grupo Arma-Zen, e os principais nomes do estilo na atualidade: Beli Remour e Makalister. Os produtores e MCs assinam a criação dos beats e toda parte técnica (captação, mixagem e masterização) — o Jovem Maka ainda participa rimando do single “Cânticos de guerra”. Gravado em 2024, no estúdio do selo Polvo Roxo e Almanak, na Rua Velha (Heriberto Hülse, bairro Serraria, São José), o disco se vale dessa mistura de gerações, que acabou influenciando na estética de “No mesmo gueto que você me esqueceu”: o álbum traz a lírica clássica de Rudhy sobre uma produção atualizada.
Negro Rudhy estreou solo em 2016, com o álbum “Favela convoca”. O segundo, “Katana”, chegou dois anos depois, os dois trabalhos foram lançados com show no TAC (Teatro Álvaro de Carvalho), em Florianópolis. Com o Arma-Zen, o rapper gravou a demo “Az Formigaz Venenosaz” (2004) e os discos “A caminhada é longa… e o chão tá liso” (2006) e “M.A.F.I.A. (Muitas atitudes formam ideias em armas)” (2012). Referência para a nova geração, o rapper é citado por Makalister no single “Mais que lágrimas”, de 2022. No ano seguinte, foi a vez de Beli Remour usar um sample de Rudhy na faixa “Lambe botas”, do álbum “Cantigas para não dormir no ponto”. A parceria entre não demorou a acontecer. Em contato com o Rifferama, Negro Rudhy falou sobre o encontro com Beli e Maka e sobre a produção de “No mesmo gueto que você me esqueceu”, o registro mais especial da sua discografia.
— Conhecia muitas coisas do Maka e vinha ouvindo o Beli também. Um dia passei pela Rua Velha e fui na casa deles de surpresa e falei que a gente precisava juntar as nossas forças. Eu tenho a velha guarda, eles têm a nova geração, a ideia era sermos vistos juntos para fortalecer a nossa cultura. Foi um bagulho feito em tempo real e fui preparado para fazer um álbum em três, não um álbum só meu. É o álbum da minha vida, sem contestar o que foi o “Favela convoca”, que faz dez anos, ou o “Katana”, que abriu a minha cabeça para não ter medo de fazer o som com as minhas referências. É o mesmo Negro Rudhy, de forma diferente, mais experiente e consciente. É um álbum de cura para mim, necessário. Não quero saber de hype porra nenhuma, dificilmente vou fazer outro álbum como esse, nada mais é que a minha parte mais equilibrada de um certo período de mudanças na minha vida, de lembranças e coisas que sempre sonhei em passar para os outros, é o meu próprio desabafo.
Foto: Diogo Machado

