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Angela Coltri (Florianópolis) — “Eclipse”
“Eclipse”, primeiro registro da flautista e compositora Angela Coltri, entrou para a seleção dos melhores álbuns de última hora (foi lançado no dia 23 de dezembro, quando a lista já estava fechada). Ainda se não fosse musicalmente primoroso, o disco brigaria por um lugar, dada a importância da artista para a cena instrumental do estado. Radicada em Florianópolis desde 2022, Angela, que é de Bauru (SP), é uma das responsáveis pela Roda de Choro Mulheril. Com oito faixas autorais, “Eclipse” traz a participação de músicos da região como Natália Livramento (violão sete cordas), Trovão Rocha (baixo), Alexadre Damaria (percussão), entre tantos outros igualmente talentosos. Além da reproduzir a estética do choro nas suas composições, o álbum conversa com outros ritmos, brasileiros e latino-americanos, e traz performances inspiradas da flautista e seus convidados.
brøken (Balneário Camboriú) — “badtrip”
A brøken surgiu em 2022, em Balneário Camboriú, e no mesmo ano divulgou o seu primeiro EP, “chorar / sorrir”, com estética definida, tanto visual quanto sonora. A brøken já nasceu pronta: fotos, artes, clipes, presença forte nas redes sociais, principalmente no TikTok. Nada disso importaria se a música não tivesse identidade. E esse DNA, centrado em três elementos principais — vocais pop, riffs diretos e mistura de gêneros — vem sendo lapidado a cada lançamento, chegando ao seu ápice no álbum “badtrip”. Produzido pela própria banda, o registro aborda temas como o amor, a depressão e outros dramas da existência humana, com uma estética ainda mais abrangente, com personalidade.
Budang (Florianópolis) — “Magia”
As referências à Ilha presentes em “Magia”, desde a capa feita por Vinícius Flores, às letras das músicas e também os videoclipes dirigidos por Jorge Daux, tornam o primeiro álbum da Budang ainda mais especial. O principal tema do disco é a maturidade da banda, que é formada por Gilherme Larsen Güths (voz), Vinícius Lunardi (guitarra), Pedro Sabino “Pit” (baixo) e Felipe Royg “Minhoca” (bateria). A mistura de influências clássicas e modernas do hardcore e outros estilos como o rock alternativo, as letras descontraídas e a energia caótica do grupo, fizeram de “Magia” um trabalho de destaque no cenário independente brasileiro em 2025.
Lóca (Blumenau) — “¼ Quem sou”
Grande parte do repertório de “1/4 Quem Sou”, terceiro álbum de Lóca, já vinha sendo apresentado desde 2021. O projeto do cantor, compositor e guitarrista blumenauense Lucas Micheluzzi começou durante a pandemia como uma forma de resolver os seus conflitos internos. Sem estética definida, mas numa estética bem própria, com referências de linguagens como rock, erudito, MPB e jazz, e trazendo sempre um texto filosófico, Lóca viu esse material ganhar outros contornos assim que se juntou a Otávio Wobeto (baixo e voz) e Matheus Barsotti (bateria e voz). E “1/4 Quem Sou” é o resultado dessa maturação, um trabalho personalíssimo.
Lupino (Florianópolis) — “Esquinas”
A Lupino nasceu com uma linha editorial. Além da sonoridade definida, mais pop, mas com espaço para experimentar, a banda tinha que ter uma vocalista. Leonardo Travassos pensou em tudo antes de convidar as pessoas para o projeto. Da divulgação de “O melhor de ti”, o primeiro single, ao álbum “Esquinas”, a banda teve a entrada de Massimo Rosner (O Bardo e o Mago) e evoluiu bastante a proposta estética. “Esquinas” foi gravado em duas etapas: os singles (cinco) e as inéditas (seis). O reforço de um novo integrante, decisivo no som apresentado, e o amadurecimento da própria banda nesse processo, fez com que o álbum apresentasse um repertório diverso e bem trabalhado.
Marissol Mwaba (Florianópolis) — “Convecta”
“Convecta”, segundo álbum de estúdio de Marissol Mwaba, talvez seja o trabalho mais representativo da carreira da artista, recheada de momentos e colaborações especiais. O registro traz participações de quem esteve junto desde o começo e parcerias mais recentes da sua vivência em São Paulo. Com dez faixas, “Convecta” coleciona afetos e diminui distâncias: o disco foi gravado em diversas cidades do Brasil e também na França, onde a artista vive atualmente, e na Áustria. Uma verdadeira força-tarefa. Além desse aspecto trajetória, presente também na estética do disco, com arranjos vocais, mistura de musicalidades e experimentações, “Convecta” também traz o lado cientista de Marissol. O título do álbum surgiu a partir de uma reflexão sobre a sua experiência artística e também no estudo da astrofísica.
Muñoz (Florianópolis) — “Twins”
Antes do lançamento de “Nekomata”, em 2019, Samuel (bateria) e Mauro Fontoura (voz e guitarra) já estavam pensando em dar um tempo com o Muñoz. Como o foco do duo sempre foi o ao vivo, a pandemia da Covid-19 obrigou os irmãos paralisarem as atividades da banda. Nesse período, Mauro e Samuel gravaram o álbum solo do artista Carolino (2021) e focaram no estudo de produção musical. A saudade de fazer um som como nos velhos tempos bateu e o Muñoz produziu “Twins”, o quinto da discografia da dupla, que começou em Uberlândia (MG) e é radicada desde 2016 em Florianópolis. Com oito faixas, o registro traz algumas músicas que estavam engavetadas, além de duas versões, e uma sonoridade mais simples que reúne elementos de todas as fases do grupo, do som sujo e barulhento dos primeiros discos ao rock psicodélico e ritualístico de “Nekomata”.
Nicole Ruju & Ney Souza (Itajaí) — “Aconcagua”
A cantora e compositora peruana Nicole Ruju sempre teve vontade de desbravar o mundo e conhecer outras culturas. A primeira visita à Santa Catarina era para durar dois meses, que se transformaram em oito, devido o contexto de pandemia. Nicole voltou para o seu país, mas sabia que voltaria. A próxima parada foi Bombinhas, onde morou antes de chegar em Itajaí, onde se matriculou no Conservatório de Música Popular Carlinhos Niehues. Entre ensaios, estudos e shows, a cantora conheceu o violonista Ney Souza e logo os dois perceberam que havia uma forte química criativa. Foi o ponto de partida do projeto “Aconcagua”, álbum que o duo produziu e faz uma fusão dos ritmos latino-americanos com arranjos para o violão sete cordas. O repertório do disco consiste em faixas autorais, versões do cancioneiro popular da América Latina e poesias.
Parafuso Silvestre (Florianópolis) — “Guarda-volumes”
Para produzir “Guarda-volumes”, a Parafuso Silvestre teve de desapegar de algumas rotinas criadas nesses mais de dez anos de história. O novo álbum é o registro mais colaborativo feito pelo quarteto até agora. Muitas músicas ainda partem de Taro Löcherbach, que também escreve as letras, mas o disco tem canções que surgiram de ideias de Juarez Mendonça Júnior, Bruno Arceno e Julio Victor. Independente do compositor, é esse envolvimento de todos que faz tudo soar como Parafuso Silvestre. Outra mudança que o álbum propôs, em princípio, foi apresentar canções mais curtas, com uma sonoridade direta, com menos detalhes. Conforme as faixas foram sendo gravadas, a música da banda também foi mudando e a diretriz ficou pelo caminho. O grupo manteve a identidade e seguiu experimentando, adicionando peso, efeitos e outras texturas.
tapete tapete (Florianópolis) — “Premiada Tapeçaria Borges”
A tapete tapete se intitula como uma banda de indie stoner psicodélico. A base do som do quarteto, que é formado por Artur Lopes, Carlos Vinicius, Leonardo Antunes e Gustavo Martins, são os riffs lentos e pesados inspirados em nomes como Queens of the Stone Age e Kyuss. Foi por causa do guitarrista Josh Homme, inclusive, que Tui Lopes descobriu o tipo de som que gostava. O segundo passo foi comprar um oitavador, que juntando com a sujeira do pedal fuzz, deu o que o músico precisava para poder compor sozinho. E foi dessa forma que o guitarrista e vocalista concebeu o álbum do grupo, “Premiada Tapeçaria Borges”, em referência à lenda do rock progressivo Premiata Forneria Marconi, outro estilo que influencia a estética da banda. Tui Lopes escreveu e gravou todo o repertório do disco, com exceção das baterias.
Tereu (Chapecó) — “Música pra enxergar de novo”
O lançamento de “Erasing Karma”, segundo álbum da Disaster Cities, em 2023, que estava sendo produzido desde antes da pandemia, foi um ponto mudança para Matheus Andrighi. O catarinense cogitou dar um tempo da música, com exceção do seu trabalho de palco. A parceria com a cantora Potyguara Bardo e a experiência na estrada foram determinantes para Tereu, seu alter ego como artista solo, se reconectar com a sua origem musical. Fazia tempo que o artista queria colocar para fora algo no mundo que tivesse mais significado, que conversasse com o que gosta e com a pessoa que se tornou nessas andanças pelo país: além de Chapecó e São Paulo, o músico morou no Pará e também no Tocantins. “Música pra enxergar de novo” é um álbum que fala sobre presença e mergulha de cabeça na brasilidade.
UmQuarto (Florianópolis) — “Fora de lugar”
O terceiro álbum da UmQuarto, “Fora de lugar”, chegou com a promessa de que, agora sim, a banda revelaria o seu verdadeiro som. Muito pela contribuição dos outros integrantes, que além de escrever, também cantam. “Apenas” (2021), o primeiro registro, é o mais redondo deles, mas pouco aventureiro, sem explorar a bagagem musical de Mayer Soares, principal compositor do grupo. A UmQuarto já foi trio e mudou toda a formação com um disco pronto. “O meio do caminho” (2023) teve gravações adicionais dos novos integrantes, resultando em um aprimoramento do material que já existia, mas ainda não era aquilo que uma banda que se assumia psicodélica ou progressiva, e com esse potencial, poderia fazer. “Fora de lugar” inaugura essa nova fase da UmQuarto, mais solta, mais criativa e menos formulaica: o grupo soa como se estivesse tentando fazer diferente, dar o máximo. E é isso o que vale.

