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80/90 (Florianópolis/Blumenau) — “80/90”
O embrião do projeto 80/90 surgiu na pandemia, quando Victor Pradella estava escolhendo o repertório do EP “Antes da boa hora”. Enquanto vasculhava ideias engavetadas, o artista se encantou com “Voltando pra casa”, de Beiss Costa, integrante do PRACOSTA, com Fernando Pra. A faixa ainda não tinha sido gravada, então Pradella pediu permissão para fazer o registro e lançar solo, mas recebeu de volta uma proposta para que fizessem isso juntos. Demorou cinco anos, mas a música saiu. No caminho para a filmagem do clipe, feito em Laguna por Henrique Corrêa e João Gabriel Dias, o quarteto, que conta também com Gabriel Cirico, decidiu que essa reunião seria uma banda. 80/90 ganhou um nome por dois motivos, um prático, por questão mercadológica: colocar quatro artistas na busca seria ruim de comunicar para o público. Outro ponto que pesou foi a estética, que foge do que qualquer um dos envolvidos já fez.
Anna Zechini (Lages) — “A heroína dos dois mundos”
“A heroína dos dois mundos” é o projeto musical mais ambicioso até o momento da compositora, atriz e historiadora da arte Anna Zechini. Em cinco faixas, a artista legeana celebra a memória de Ana Maria de Jesus Ribeiro, também conhecida como Anita Garibaldi (1821-1849). O EP aborda temas importantes da vida da revolucionária, como a infância, a guerra e o amor. E não foi apenas na história de Anita Garibaldi que Anna Zechini se baseou para fazer “A heroína de dois mundos”. O arranjo de “Tu Devi Essere Mia”, assinado por Vitor Castro, por exemplo, traz uma releitura para o chimarrita, ritmo comum nas festas frequentadas pelos moradores da região Sul no começo do século XIX. A música, que tem a participação do cantor nativista e conterrâneo Ricardo Bergha, foi toda escrita no espanhol, idioma presente em vários trabalhos da compositora, que fez mestrado em História da Arte na Colômbia.
Beli Remour & FRAJ (São José/Lages) — “Pequenas distâncias”
“Pequenas distâncias” é um trabalho nostálgico. Não pela sonoridade, mas por colocar lado a lado Beli Remour e Gabriel FRAJ novamente. Parceiros desde a época do projeto experimental Kodak Ninja & Urso em Mandarim, que lançou o primeiro álbum em 2014. Entre 2021 e 2022, o duo foi reativado com o nome antigo e o lançamento de sete singles, mesmo número de faixas do novo EP (uma intro e seis músicas). “Pequenas distâncias” traz a produção refinada de Beli Remour e dois MCs de mesmo nível nas líricas e flow, algo difícil de acontecer em um registro nesses moldes. “Gosto, textura e cheiro”, destaque do repertório, tem a participação do produtor carioca Babidi, revelação do cenário do rap no Brasil. Com uma lista extenso de trabalhos apresentados nos últimos anos, Beli Remour e FRAJ mostram que essa dupla ainda tem muito a oferecer.
Daniel Arena (Florianópolis) — “Temple of Trees, Vol. I”
Daniel Arena tem conseguido manter uma base de ouvintes por algumas razões. Além de uma produção consistente, com 25+ lançamentos entre álbuns, EPs e singles, o artista desenvolveu uma identidade sólida dentro do cenário do folk, mas ainda surpreende. De 2021 a 2024, Arena apresentou uma quadrilogia de EPs com uma fórmula que trazia uma canção com um convidado, uma instrumental e outra em inglês. Em “Europa”, o último deles, o músico divulgou as primeiras gravações (são duas faixas) em português, sendo uma dividindo os vocais com Léo Vieira. No primeiro volume de “Temple of Trees”, “Torre de Babel”, com letra em português e espanhol, foi a novidade, mas o formato dos outros EPs seguiu. E não para por aí. Nos próximos “Temple of Trees”, que em princípio serão em três partes, um deles será totalmente em português e o outro instrumental.
Dead Jungle Sledge (São Joaquim) — “Irrational Beings”
A Dead Jungle Sledge divulgou “The One Who Burned Bleed”, segundo single do EP “Irrational Beings”, três dias antes do falecimento do ex-baterista Vinicius Pagnussat, que tinha voltado a morar em São Joaquim, terra natal dos integrantes, e perdeu a vida em um acidente de carro. A decisão de seguir tocando e lançar o registro foi a forma que Gabriel Marca (voz e guitarra) e Lucas Gomes (voz e baixo) encontraram de homenagear o amigo. “Irrational Beings” traz uma sonoridade brutal, com referências de subgêneros como o djent, o deathcore e o death metal. A estética mais sombria da Dead Jungle Sledge está presente também no logotipo, que foi atualizado em relação ao álbum de estreia, “Unmask”, lançado em 2020. O metal alternativo dos primórdios do grupo, que tinha influência do grunge e do stoner, mas também do Sepultura, manteve o groove, mas ganhou contornos extremos.
Elisa Cordeiro (Itajaí) — “Do avesso”
“Do avesso”, trabalho de estreia da cantora e compositora Elisa Cordeiro, é uma aula de música brasileira. Professora do Conservatório Carlinhos Niehues, em Itajaí, a artista reuniu um time de peso para gravar o seu EP, produzido por Marcelo Fruet e Elieser de Jesus, que também tocou piano. Elisa, que assina “Deusa música”, que tem a participação especial de Giana Cervi, e “Coragem pra gente”, em parceria com Micael Graciki (guitarra, violão e bandolim) e Sete Bass (baixo), é acompanhada também por Braion Johnny e Rafael Vieira (bateria e percussão) — as outras três faixas são de autoria do guitarrista. “Do avesso” é abrangente nos climas, da politizada “O trabalhador” ao balanço irresistível de “Teu rolê”, com uma performance vocal de tirar o fôlego em todo o registro. É samba, groove e devoção à MPB.
End of Pipe (Florianópolis) — “Silence Equals Death”
Nesses 20 anos de trajetória, a End of Pipe se notabilizou pelo profissionalismo e também por manter relações duradouras. O EP “Silence Equals Death” é o primeiro trabalho após o retorno do guitarrista Gabriel “Gabito” Jardim, um dos fundadores do grupo ao lado de Uirá Medeiros (voz e guitarra) e Rafael Censi (baixo) — o baterista Victor Berretta entrou em 2011. O registro foi lançado pelo selo Repetente Records, de Phillippe Fargnoli de Oliveira (CPM 22), que já tinha produzido “Keep Running” (2014). A End of Pipe também repete a parceria com Mark Michalik na mixagem e masterização: o norte-americano já tinha exercido a mesma função em “Mass Hysteria” (2020). “Silence Equals Death” tem quatro faixas e traz uma sonoridade que avança em relação ao que o grupo fez em “Mass Hysteria”, com músicas mais pesadas, afinações baixas e até uma pegada comercial.
Laura Padaratz & Luthuly (Florianópolis/Rio de Janeiro) — “Origami, Vol. 1”
Após o lançamento do seu primeiro EP, “All In My Hands”, em 2022, a cantora e compositora Laura Padaratz passou a escrever mais canções em português. Essa transição no repertório incluiu além dos próprios singles, colaborações em trabalhos de outros artistas e o seu novo projeto, “Origami, Vol. 1”. O material traz Laura e Luthuly nos vocais, mas foi concebido como um quarteto: as cinco faixas foram feitas e arranjadas em parceria com o baterista e produtor musical Theo Zagrae e o violonista João Vinicius. “Origami, Vol. 1” tem uma sonoridade que mistura o R&B clássico, com groove e arranjos vocais e a levada da música brasileira. A estética é fruto das referências diferentes que cada um carrega. Laura traz a pegada mais pop, Luthuly tem a essência da MPB, João Vinicius é formado em violão erudito e Theo Zagrae vem com trabalhos para cantoras como Mart’nália, Luedji Luna e Vanessa da Mata na bagagem. A audição do EP não deixa dúvidas do quanto essa junção foi acertada.
Não é mais inverno (Laguna) — “Entre sonhos e fins”
A Não é mais inverno é uma banda com uma estética definida. Guiado pela voz grave de Matheus Pires Rodrigues e as guitarras limpas do cantor e compositor e também de Lucas Maximiliano “Japa”, o grupo de Laguna, que conta também com Jean Neves Barcelos (baixo) e João Felipe Sydorak (bateria), segue apostando na melancolia, com o reforço dos vocais de chovvve (Cereja Bloom), estrela do dueto em “Reencontro”. Sem grandes diferenças para os trabalhos anteriores (são dois EPs e um álbum), o quarteto traz o seu registro mais bem lapidado e o melhor conjunto de canções até o momento: as quatro músicas são ótimas e têm grandes refrãos. Produzido pelo baterista da banda, o EP foi gravado pelo antigo parceiro André Bresiani, com mixagem e masterização de Douglas de Medeiros (Code Veronica) também se destaca pela qualidade sonora.
Pentarradial (Florianópolis) — “Sufocar não dá mais”
Desde a divulgação do primeiro single da Pentarradial, em 2017, muita coisa aconteceu. “Fora do ar”, composição de Israel Rodrigo (voz e guitarra) com Antonio Rossa, que também dirigiu o clipe da canção, apresentou uma banda promissora que ficou pelo caminho. Como uma boa novela, a história do grupo teve reviravoltas, uma quebra de relação que era duradoura, recomeço e a expectativa por um final feliz, não sem novos desvios de rota. O EP “Sufocar não dá mais” é um exemplo desse movimento incerto que é ter uma banda. Após voltarem a trabalhar juntos, Israel Rodrigo e Jeffs Ventura (guitarra) escreveram muitas músicas e decidiram gravar um álbum. Fecharam uma formação com baixista e baterista, fizeram sessão de fotos, filmaram material audiovisual e, com o disco em mãos, são uma dupla mais uma vez. Israel Rodrigo e Jeffs Ventura trabalham bem juntos e chega a ser difícil pensar em um sem lembrar do outro.
Ryan Fidelis (Florianópolis) — “ALMA”
Filho de cantor de pagode e neto de jogador de futebol, Ryan Fidelis cresceu em um ambiente em que respirava música. O envolvimento com a arte parecia um caminho natural e aconteceu cedo. Aos seis anos, Fidelis já tocava violão e na adolescência começou a estudar produção musical. Os seus primeiros trabalhos na área foram como beatmaker, criando instrumentais para o rapper Negro Rudhy e outros, além de produzir artistas da região. Após uma experiência com o trap, o artista decidiu apresentar as suas referências musicais e desde 2023 vem lapidando a sua estética, que mistura elementos de gêneros como R&B, soul, disco e samba. Seu mais novo projeto, “ALMA”, representa essa identidade desde título, uma sigla que significa “a linguagem do meu âmago”, e traz seis faixas (mais uma intro) numa sonoridade pop e dançante com letras confessionais.
Situation (Florianópolis) — “Situation EP”
O Situation é um grupo formado por músicos com 30+ anos de experiência na cena autoral de Florianópolis. Caio Cezar (voz e guitarra, Ulysses Dutra (guitarra), Luiz Maia (baixo) e Luciano Fadel (bateria e percussão) fizeram parte do movimento mané beat, retratado no documentário “Sete Mares Numa Ilha” (1999), e integraram as bandas Stonkays y Congas, Phunky Buddha, entre outros projetos. Os primeiros encontros foram virtuais, durante a pandemia, mas logo a banda começou a ensaiar e fez os seus primeiros shows em 2024, quando venceu o Prêmio Julio Lemos. O concurso promovido pelo projeto Desterro Autoral financiou a gravação de cinco das seis faixas de “Situation EP”, que traz um repertório variado, com base no reggae e doses equilibradas de psicodelia, rock, groove e baladas. Cada música tem a sua identidade e a sonoridade bem trabalhada é fruto dos ensaios que duram horas a fio, sem papo furado.

