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Alkanza: Representando o peso e o groove no Sul catarinense*

*por Marcelo Mancha

A Alkanza nasceu em Laguna no ano de 2013 e depois passou o QG para a cidade vizinha, Tubarão. O primeiro lançamento foi em 2014, o EP “Destroyed the System”, todo composto em inglês. A mudança para os vocais em português veio no ano seguinte com o álbum “Colonizado pelo Sistema”. Cantando na nossa língua a banda ganhou força e também identidade. Prova disso é o mais recente trabalho, “O Céu da Boca do Inferno”, que mostra que o Alkanza segue evoluindo no qualificado cenário metálico catarinense.

O disco começa muito bem com a porrada “Em Coma” (que já tem um clipe oficial), seguida por “Paciência V.T.N.C.”, um dos destaques do trabalho. O som tem aquela pegada thrash groove, manja? A receita coloca mais peso e balanço e menos velocidade e pancadaria. Pantera, Machine Head e Sepultura (fase “Chaos A.D.” em diante) são bandas que podem situar melhor o leitor/ouvinte. Em “Escolhas”, o quarteto formado por Thiago Bonazza (baixo e vocal), Pedro Souza e Renato Lopes (guitarras) e Ramon Scheper (bateria) dá pistas que ouviu muito o “Black Album” do Metallica. Vertentes mais contemporâneas como o new metal e o metalcore marcam presença em “É Só?!” e “Com Força”, e até uma vibe death metal aparece em “S.C.M.N.S.M.”, a última do disco.

Se a ideia for apontar apenas uma música para conhecer o Alkanza, vá direto para “Sorria”, faixa que equilibra com perfeição o que a banda tem de melhor: peso, groove e uma letra nervosa gritada por um vocalista com sangue nos olhos. Aliás, as boas letras e o vocal de Bonazza merecem atenção. O baixista e vocalista vai do rasgado ao gutural, passando por interpretações mais modernas – em alguns sons ele usa uns efeitos na voz – na escola Max Cavalera versão Soulfly.

Mesmo com duas guitarras, as músicas não têm muitos solos do instrumento. A bateria de Scheper é criativa, encaixando bem os dois bumbos, e o baixo tem papel importante nesse estilo do som, criando a marcação para o peso tomar conta. Não chega a ser um ponto negativo, mas senti falta de um pouco de velocidade. Gostaria de ver o Alkanza pisando no acelerador, só para ver como esse groove sulista se comporta descendo a ladeira. Um trabalho acima da média. Nota 8.

*Marcelo Mancha é jornalista, músico e baixista do Eutha (desde 1992)

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

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