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É preciso repensar a Maratona Cultural

Antes de dizer o que penso sobre a Maratona Cultural, devo reconhecer que é uma iniciativa importante. São poucas as cidades que oferecem grandes shows, espetáculos teatrais, sessões de cinema, exposições de arte, etc., de forma gratuita, em um espaço tão curto de tempo (três dias). A atual edição, que começa hoje, ficou manchada pelo corte em mais de 50% das atrações, mesmo depois da programação ter sido revelada.

Em vez de termos centenas de atividades espalhadas por 21 endereços da Capital nesse fim de semana, gostaria que a Secretaria de Cultura organizasse eventos durante todo o ano, não só no aniversário de Florianópolis. Acho que essa festa poderia ser repensada, quem sabe para apenas um dia, e dar oportunidade para os nossos artistas demonstrarem o seu trabalho em mais datas, oferecer outros espaços, para que os grupos não dependam de iniciativas como O Clube, Janela Cultural, Indisciplina, entre outros.

Existem, claro, muitas boas opções, como os shows de Lenzi Brothers e Blakk Market na Célula, sábado, ou ainda Khrophus, Brasil Papaya e Almah, na Escadaria do Rosário, domingo. No Parque de Coqueiros, também no domingo, François Muleka (foto) apresenta o seu disco solo “Feijão e Sonho” e prepara o terreno para Tom Zé. Mas quantos desses shows você poderá assistir? Insisto. Não sou contra a Maratona Cultural. Quero ver um calendário anual de eventos que valorizem a nossa música autoral.

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

8 Comentários

  1. Fui na Escadaria do Rosário e curti pacas.
    Concordo contigo, devemos ter mais eventos deste tipo na Cidade priorizando a cultura local. Tem muita gente boa por aqui!!!

  2. Eu acho louvável e corajoso o projeto da Maratona Cultural, porém, concordo com a postagem. Se tivesse o poder de escolher, eu preferiria que o governo investisse no fomento da cultura no ano inteiro, com cursos, eventos e espetáculos periódicos. O fato de a Maratona acontecer somente num final de semana exclui muita gente de participar, além de ser um evento "corrido", no qual o público que quiser aproveitá-la plenamente terá que se locomover igual um louco pela cidade.

    Mas não sou contra o projeto não, só acho que deveria existir as duas coisas: um calendário anual bem organizado e com diversas opções e a Maratona. Nem que para isso a Maratona fosse menor, com menos verba, e uma parte dessa verba fosse utilizada para eventos periódicos durante todo o ano.

  3. Parabéns pela coragem de abrir o necessário debate. Concordo com o colega, a Maratona é uma conquista. A cidade precisa dela. Na verdade, todas as cidades catarinenses merecem maratonas próprias. E é importante que o evento continue, perdure, vire mais uma tradição. E concordo ainda que, além dela, a cidade, o Estado, precisam de muitos outros eventos culturais. Sei lá, a Maratona em si poderia conter também artistas de fora. Mas, mensalmente, uma ou duas datas para os artistas locais seria fabuloso. Pensando bem, até com artistas de outras paragens. É caro? sim. Mas, para isso, existem patrocinadores. É questão de governos pensarem em alternativas para atrair apoiadores.

  4. Perfeito! Concordo! A cultura local também deve ser cultivada.

  5. A iniciativa é louvável, mas com certeza eu trocaria esses três dias por mais eventos durante o ano. Mas sabe como é né, cultura e educação não são prioridades do governo. Resta a nós cobrarmos por mais incentivos, tanto da parte pública, quanto privada, também cobrando e verificando como está sendo aplicado as verbas, para que não haja problemas como nesta última edição da maratona.

  6. Com todo respeito aos organizadores e às pessoas e coletivos envolvidos no Maratona Cultural mas, com relação à programação que envolve bandas especificamente, devo dizer que é deprimente. Exceto alguns, que acredito terem méritos próprios além de um trabalho autoral impecável, de nível gringo mesmo, as outras bandas são sempre as mesmas; sem mencionar os artistas menos conhecidos que nem são de Florianópolis.

  7. Acho o debate extremamente válido.

    Eu penso que não podemos abrir mão de um em detrimento do outro, ou seja, tanto vale a Maratona, quanto um investimento para que tenhamos uma agenda cultural mais comprometida.

    Além disso, triste notícia a do corte na programação.

    Ótimo post!

    Abraço

  8. Assino embaixo, meu amigo!

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