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Iguanas Tropicais lançam “Selva”: eficiente e inspirado*

*por Mayer Soares

O rock experimental está repleto de bons exemplos de como se trabalhar com poucas ferramentas, mesmo que os recursos hoje em dia sejam quase ilimitados com o advento dos plugins e home studios. Iguanas Tropicais é um desses exemplos que me refiro. O trio de Florianópolis consegue com seu novo trabalho, o EP “Selva”, mostrar que é possível ser simples e ainda assim soar moderno, interessante e com mensagem importante.

O trabalho é harmonioso entre os instrumentos. Causa a ambientação que o tema pede. Se numa selva a gente tem a sensação de liberdade e ao mesmo tempo receio e medo do que possa aparecer, isso é notado na escolha de timbres e texturas. Não é raro as músicas alternarem entre um ambiente seguro e confortador e de repente a tensão com o peso das cordas e tambores. Essa é uma faceta bem característica do progressivo e acid jazz que o grupo se rotula.

Alyson Risso passeia pela guitarra de modo eficiente. Sem “fritação” exagerada e solos com milhões de notas, seu som é certeiro. Gustavo Duart é um baixista inspirado e seu trabalho junto com a bateria de Leonardo Flores traz uma cozinha interessante.

“Selva” não é um trabalho que prioriza o vocal. A mensagem está no som que o ouvinte prestará atenção. Apesar disso, é interessante o estilo vocal que demonstra território marcado dentro de uma selva. Os destaques são “Bote N’Areia”, que poderia ser um cover perdido do Syd Barrett. “Butterfly’s Dance” tem um groove contagiante, ainda que não dançante. E “Selva” é o resumo do que ouvimos. É como se todo o trabalho feito até então fosse misturado numa música só.

Produzido por Duda Medeiros, “Selva” é um excelente começo. O rock nacional está muito bem, e Iguanas Tropicais provam meu ponto.

Direção artística: Nicolas Weber
Fotografia: JheFerr e Arthur Passos
Produção musical: Duda Medeiros

*Mayer Soares é músico, ilustrador, geek e designer paulistano que adotou Floripa como sua cidade. Fã ardoroso de HQ e ama o cenário autoral catarinense

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

Um comentário

  1. Que legal gente. Gostei demais de produzir este disco, e sou fã da banda! ❤️

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