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Indo além da MPB na estréia do multifacetado David Toledo*

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*por Allan Bezerra

Existem momentos na vida que precisamos nomear algo que está a nossa volta, e retornando para época de generais prefiro evitar ao máximo a generalização das coisas, sendo assim, me esforço para ser mais específico, mesmo que isso exija do meu tempo um vasto grau de pluralidade como no caso do talento de David Toledo.

Em a “Bússola” é possível notar David dando as caras logo de início com uma faixa que sintetiza toda sua versatilidade como musicista. A primeira impressão é de que a parceria entre o cantor e violonista com seu amigo letrista Bruno Fortkamp dá um passo muito parecido ao de João Bosco e Aldir Blanc. Em seguida somos teletransportados pela bela canção “Begônia”, dona de uma melodia sublime e maravilhosamente bem ilustrada em seu videoclipe. Provocando a sensação do que seria assistir a uma novela de época, a faixa “Solar” possui uma levada guarânia, trazendo David em um lindo dueto com Joana Castanheira.

No decorrer do álbum podemos conhecer outras facetas de David, em “Samba da Viagem” de forma intimista somos convidados para dançar uma gafieira com muita classe que exala brasilidade. Cheia de experimentalismo, a quinta faixa “Um de Outro” traz uma composição instrumental rica em solos e mudanças de cadências e momentos que nos lembram riffs de Luiz Bonfá. Na próxima música David nos apresenta uma salsa brava em “Pra Explodir de Amor”, com o destaque para o swing da guitarra na participação de Matheus Colossi.

Os sons dos pássaros acompanhados dos arpejos do violão nos remetem a um mágico fim de tarde em “Arrebol”, onde temos toda a nossa atenção arrebatada pela perfeição deste encontro entre a voz aveludada de David e a belíssima participação da cantora catarinense já consagrada Ana Paula da Silva. Em “Telepatia” fica quase impossível não notar a semelhança do estilo neo soul swingado da voz de David com a fase inicial da carreira do cantor Pedro Mariano, filho de Elis. A instrumental “Casa Nova” é nona faixa do álbum, por se tratar de uma melodia experimental ao som percussivo do violão, expressando a sensação de experimentar um novo lar. A penúltima canção se trata de um tangorelo, onde a voz swingada de David divide as atenções dos holofotes com o violino de Josenir Júnior e a belíssima Flauta Transversal de Jefferson Kriese.

Chegando ao final do álbum me vêm à mente uma lembrança surpreendente dos tempos em que fui estagiário no arquivo da UDESC, quando caminhava de forma aleatória em meados de março pelo Campus do CEART. Em meio às exposições de moda e fotografia, de repente me vi diante de uma grande banda dona de feeling experimental fantástico, onde um garoto no meio tocava, cantava e regia tudo ao mesmo tempo; era David Toledo se apresentando ao som de “Clichê”.

Foto: Pedro Oliveira

*Allan Bezerra é um aprendiz da Biblioteconomia catalogando, indexando e classificando ritmo e poesia

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

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