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Os melhores álbuns lançados em Santa Catarina em 2020

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Antonio Colangelo — Tabaco y Azúcar

Radicado em Florianópolis desde 2007, o italiano Antonio Colangelo desenvolveu a sua carreira como professor de guitarra e produtor musical. “Tabaco y azúcar”, gravado em agosto e dezembro de 2018 e lançado em janeiro, é o seu primeiro trabalho autoral. O material, produzido em duas etapas, em Bari (ITA) e no estúdio Pimenta do Reino, saiu pelo selo DodiciLune, referência no mercado jazzístico europeu. Com ótimas performances individuais, incluindo dos nossos Rafael Calegari (baixo), Neto Fernandes (bateria), Cristian Faig (flauta) e Fabio Mello (sax tenor), Colangelo esbanja criatividade em fraseados elegantes. Uma aula de como fazer jazz.


Beli Remour — Galos e cerâmica

Beli Remour é uma máquina de fazer música. O compositor de São José é creditado em 49 lançamentos desde 2016, entre trabalhos solo, Kodak Ninja & Urso em Mandarim, a dupla com Makalister e outras parcerias. “Galos e cerâmica” é a cereja do bolo da sua discografia. Beli encontrou o equilíbrio no que diz respeito ao uso da sua voz: o auto-tune, sua marca registrada, ainda está presente, mas as rimas sem efeitos vocais ganharam mais espaço e se destacam em faixas como “Jano”, “Lágrimas de fogo” e “Aves”. Essa dinâmica garante uma audição fluida durante a uma hora do álbum, que tem um instrumental refinado, com sopros, piano, cordas e solos de guitarra. Que obra.


David Toledo — Bússola

Estudante de Música da Udesc, o cantor e violonista de 22 anos divide os vocais com Ana Paula da Silva em “Arrebol” sem cerimônia, como se não estivesse diante de uma artista premiada. Sua voz enorme e o apuro técnico garantem momentos sublimes, como em “Begônia”, uma canção que deveria ser eterna. Mesmo quando se distancia do rigor do jazz, como em “Solar”, dueto com Joana Castanheira, a riqueza do arranjo impressiona. David Toledo tem potencial para estar entre os maiores nomes da nova MPB no país e “Bússola” é daqueles trabalhos que renovam a nossa fé na música, algo que não acontece todo dia.


End of Pipe — Mass Hysteria

A pandemia do Coronavírus adiou o sonho da primeira turnê europeia do End of Pipe. O trio formado por Uirá Medeiros (voz e guitarra), Rafael Censi (baixo) e Victor Berretta (bateria), que já excursionou pelos Estados Unidos em duas oportunidades, está na estrada desde 2006 e já lançou três EPs, incluindo o split com o Down by Law (EUA). “Mass Hysteria” coroa a trajetória da banda mais importante de punk rock do estado. Com participações de músicos da cena internacional, o álbum saiu em diversas publicações gringas, incluindo um segundo lugar no prêmio da Punk Rock Mag, da Costa Rica. Mais do que merecido.


Felipe Coelho Trio — Uanamasi

Felipe Coelho é um nome mais que conhecido no cenário do violão brasileiro. Com trabalhos voltados para o jazz, o flamenco e o erudito, o músico expandiu as suas possibilidades sonoras em “Uanamasi”, seu segundo álbum em trio (com Tiê Pereira, baixo, e Richard Montano, bateria). Com a soma de Lucas Romero nos efeitos eletrônicos, Coelho abraçou a chamada world music, soando moderno. Pela primeira vez na carreira, o violonista soltou a voz, cantando em inglês e português e até flertando com o rap. O disco reúne o que de melhor Felipe Coelho sabe fazer, como no flamenco “Soleá” ou na brasileiríssima “Uanamasi No. 4”, mas também avança. E essa é a principal qualidade dessa obra.


Iara Germer — Canção da terra

Quem ouve Iara Germer soltar a voz em “Chegança”, faixa que abre o seu segundo álbum, “Canção da terra”, não imagina que a cantora está dando os seus primeiros passos como artista solo. Advogada de formação, a música entrou na vida de Iara como profissão em 2008, aos 52 anos. A estreia oficial, no entanto, aconteceu apenas em 2017. As 12 composições do álbum exalam potência e brasilidade e, além da voz agradável de Iara, contam com uma execução impecável. A ficha técnica do material é garantia de qualidade: Rafael Calegari (baixo), Pedro Germer (violão e guitarra), Fábio Mello (flauta e sax), Alexandre Damaria (percussão), Neno Moura (bateria e percussão), entre outros.


Makalister — Barka

Deve ser muito bom ser fã de Makalister. Desde 2015, quando lançou o seu primeiro EP, ainda como Renton, o rapper já produziu dois EPs, duas mixtapes e cinco álbuns (um instrumental), além de incontáveis singles e feats. Em “Barka”, sua música está mais orgânica. O instrumental jazzístico em “Cartas que deixo para o vento”, com o trompete de Bruno da Silva, é primoroso.  O disco tem uma atmosfera nostálgica, que alcança o seu auge no encerramento em “Estações”, que traz algumas das melhores linhas do Jovem Maka e ainda conta com a participação especial de Matéria Prima. Mais um motivo para justificar a idolatria que causa.


Otito — Longe de casa

“Longe de casa”, primeiro álbum d’Otito, foi gravado em Tatuí (SP), onde Paulo Antônio Pfutzenreuter (ex-Nebula Dogs) estuda no Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos. Além de tocar vários instrumentos, o músico produziu e trabalhou na mixagem do disco, que é uma pérola escondida da psicodelia brasileira. Interessante como os temas reaparecem no decorrer da audição, gerando uma forte conexão com o ouvinte. O som feito pelo Otito é um convite para viajar: rico em detalhes, “Longe de casa” é disparado o melhor álbum de rock do ano.


Semserteza — Ser Semserteza

Léo Vieira e André Stahnke nasceram um para o outro, são almas gêmeas musicais (parceiros, sim, que sorte!). Suas vozes se completam e encantam em “Ser Semserteza”, um álbum tão bonito que eu falharia se tentasse o descrever. O refrão de “Abre, abre-alas”, que conta com a participação de Dinho Stormowski (Dazaranha), repetido como um mantra, é emocionante. Vieira e Stahnke não têm vergonha de cantar sobre o amor em meio ao caos, e a coragem de seguirem com esperança no Brasil de 2020 é o que faz esse disco ser tão precioso. Vai passar, com certeza.


They Come Crawling — They Come Crawling

O They Come Crawling, de Orleans, reúne veteranos do metal/rock catarinense. Douglas Mattos (guitarra) e Wagner Barros (bateria) tocaram juntos no Don Capone e também no Somberland, que lançou um disco brutal neste ano, “Just Flesh for the Worms”. O baixista Geison Frasson, que gravou o álbum, atualmente faz parte da reformulada Malice Garden. O vocalista Igor Pereira completa a banda. “They Come Crawling”, que saiu em maio, estava guardado desde 2018. O thrash/death metal do quarteto é avassalador. Os riffs de Mattos e a bateria de W.A.G. promovem um verdadeiro massacre, como o metal tem que ser. 


Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

Um comentário

  1. […] que consolidou uma trajetória iniciada há 15 anos. Um dos melhores discos de 2020 segundo o Rifferama, o material recebeu críticas positivas em veículos de mídia independente em países como […]

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