melhoresdoano-rifferama

Os melhores EPs lançados em Santa Catarina em 2019

Ouça a playlist exclusiva com os melhores lançamentos de 2019


Angelo Bracht — Pyram

O guitarrista Angelo Bracht, de Joinville, decidiu gravar um trabalho solo para explorar as suas principais influências nas seis cordas. As composições em “Pyram” são bastante diferentes entre si e em nada lembram o som que o músico faz com o Arataca Stoned Farmers, quarteto de stoner rock. São quatro faixas instrumentais, que remetem a nomes como Guthrie Govan, Richie Kotzen e Andy Timmons. Os destaques são “Soul Trader”, com participação do vocalista Antonio Mota, numa vibe Joe Bonamassa, e a melodiosa “Smoke”. “Pyram” é viciante.

Bryan Behr — EP 2019

Bryan Behr vai se lembrar com carinho de 2019. Que ano. De contrato assinado com a Universal Music Brasil, o compositor brusquense lançou “EP 2019” e na mesma semana se apresentou no programa “Só toca top”, da TV Globo. O material foi gravado no estúdio Nave 33, no Rio de Janeiro (RJ), e a produção caprichada de Juliano Cortuah e Fernando Lobo deixou o som de Behr grande, comercial, pronto para entrar nas paradas de sucesso – até então o artista só tinha disponibilizado as suas canções em formato acústico. Com talento e suporte, o céu é o limite.

Isfet — Mayest Thou Wander Aimlessly

A Isfet é um diamante bruto do metal catarinense. “Mayest Thou Wander Aimlessly”, segundo EP do grupo, que também tem um álbum lançado, consiste em uma música de dez minutos dividida em três partes: “Eloquent as an Arrow”; “The Decaying Mirage Said: Introduce Thyself!”; “The Wordless Sermon”. A Isfet faz um som bastante técnico, com vocais angustiantes, passagens acústicas e aquele clima melancólico que só o black metal transmite. O encerramento, com uma belíssima introdução no piano seguida por riffs ferozes, é o ponto alto do material.

Jesus Luhcas — Bicho solto

Maranhense radicado em Joinville, o cantor e compositor Jesus Luhcas parece ter encontrado a sua verdade em “Bicho solto”. As seis faixas do EP, que pode ser classificado como MPB, apresentam diversas nuances e flertam com outros estilos como o samba, o rock, a música eletrônica e o rap. A balada folk “Moços e moças” traz um dueto com a vocalista da Napkin, Natana Alvarenga, cantando pela primeira vez em português. Com letras bastante pessoais, “Bicho solto” é um trabalho maduro, bem acabado e que representa a diversidade musical dos nossos artistas.

Joana Castanheira — Para

Quem esperava que a cantora Joana Castanheira desse sequência ao pop refinado do single “Travo”, gravado em 2018, deve ter se surpreendido com a pegada voz e violão de “Para”. Intimista, dramático, sofrido, o EP, produzido por Pedro Altério (5 a Seco) traz ao mundo as cartas que Joana escreveu e nunca teve coragem de enviar. Integrante do The Voice 2016, a cantora vem construindo uma carreira sólida e 2019 foi um ano de muito trabalho – além de dez lançamentos com o Nossa Toca, a artista participou do disco do Semserteza.

Menage — A esperança é a única que morre

A Menage é mais um bom exemplo da nova safra de bandas de rock de Florianópolis. O trio, que conta com músicos experientes, com passagens por bandas como Somato, Napkin e Petit Mort, faz um som direto, com a dose certa de peso. A baixista Michelle “Michu” Mendez se juntou a Bruno Andrade (voz e guitarra) e Mariel Maciel (bateria) no meio do processo que originou “A esperança é a única que morre”. O EP tem as participações de Natália Noronha (Plutão Já Foi Planeta) em “Countdown” e Felipe Machado (ex-Magnólia) em “Ex-Machina”.

Modernas Ferramentas Científicas de Exploração — EXT

O Modernas Ferramentas Científicas de Exploração faz música eletrônica “cabeça”. O segundo registro do grupo, “EXT”, marca o retorno de Leonardo Travassos (baixo e guitarra) ao MFCE, que agora é um trio, com Yusanã Mignoni (teclados e programação) e o guitarrista Daniel Postal. Mais eletrônico e orgânico, o EP vai do house ao dubstep, mas o clima chillout é uma constante nesse trabalho, que tem os mesmos 25 minutos do álbum “MCFE1”, mas com seis músicas a menos (quatro x dez). Um dos projetos mais interessantes da atualidade em Santa Catarina.

Orquestra Manancial da Alvorada — Encontro na mata

A partir de 2020, a Orquestra Manancial da Alvorada será hors-concours. Ou seja, não será mais citada em qualquer lista do Rifferama. O nível de composição e execução que Julian Brzozowski (voz, violão e saxofone) e sua trupe chegaram é algo sem precedentes no estado. Em “Encontro na mata”, EP audiovisual dirigido por Antonio Rossa e que teve captação de áudio, mixagem e masterização de Rafael Pfleger (baixo), a OQMA incorporou os músicos Herlene Mattos (violoncelo), Lucas Madeira (flauta) e Marcio Bicaco (vibrafone e pandeiro) e ainda trouxe de volta o acordeonista Charles Kobarg. O resultado não poderia ser outro. Genial.

Reis do Nada & Luccas Carlos — Reis do Nada & Luccas Carlos

A dupla de músicos e produtores Laurinho Linhares e Ph Collaço uniu forças com o carioca Luccas Carlos, um dos nomes mais populares do rap nacional, para um EP colaborativo. As gravações tiveram a participação de músicos conhecidos da cena catarinense, como Diego Carqueja (ex-Sociedade Soul) nas teclas, Hique D’Ávila (Stormental) na mixagem e Hemerson Calandrini no trombone. O som não foge do R&B/Neo Soul característico dos Reis do Nada, com bastante groove, beats criativos e letras românticas. A parceria com Luccas Carlos, que começou em 2016, deve render novos voos ao duo, que está em alta.

Sá Pedro & Banda Líquida — Outro

O cantor e compositor Sá Pedro gravou o seu primeiro EP aos 42 anos. “Outro” traz canções escritas desde a década de 90, com letras escritas por Pedro Marques, pelos dois e por Sá Pedro. A Banda Líquida é nada mais nada menos que Arthur Boscato (baixo, guitarra e violão), Vinícius Lole (acordeon) e Filipe Maliska (bateria), do Entrevero Instrumental. Esse encontro, somado à produção do igualmente monstro Júlio Miotto gerou um trabalho estranho e inclassificável. Destaque para “Dona Urtiga” e sua bateria quebrada, com a guitarra e o acordeon fritando juntos. Uma porrada na mente.

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

Um comentário

  1. EP "Verde" lançado em 27/12 pelo Claviceps Purpurea de Brusque. https://open.spotify.com/album/1BOJwOqEynPp2deCisnHrw?si=nxdMDolkTfiqdrLMjPGBRg

DEIXE UM COMENTÁRIO.

Your email address will not be published. Required fields are marked *