chicomartins-rifferama

Rifferama Entrevista: Chico Martins

Em 2011, o guitarrista Chico Martins, do Dazaranha, embarcou em carreira solo com o disco “Pra Ficar”. Passados dois anos da gravação desse trabalho, o músico se diz satisfeito pela repercussão obtida com o álbum, que foi lançado de forma independente. Workaholic, divide o seu tempo entre a banda enquanto projeta outras abordagens para um futuro próximo. Para o blog, Chico ainda revelou quais são os seus riffs preferidos.

Rifferama – Como foi poder te distanciar um pouco do Dazaranha, mostrar a tua cara no “Pra Ficar”?

Chico Martins – Sabia que eu não era conhecido como vocalista para me lançar solo. Minha função no Dazaranha é a de guitarrista, apesar de eu cantar algumas músicas, mas tenho muitas composições e vontade de cantar. Consegui uma distribuição boa, as pessoas ficaram sabendo do meu disco. A Internet me ajudou muito. Saí um pouco do raio de ação da banda, pude tocar com outros músicos, amigos que eu sou fã, e acompanhar todos os processos do começo ao fim, da produção ao encarte. O resultado foi muito bom.

Rifferama – Gravar um disco solo foi uma necessidade? Como divides o teu tempo entre a banda e os projetos paralelos?

Chico Martins – Total. Tem essas pequenas realizações para construir uma obra. Estou gravando outro disco infantil. Não tenho a força individual que tem o Dazaranha, mas gosto de criar e de mostrar. Temos um combinado. O Dazaranha serve como base para todo mundo e, se vagou uma data, podemos marcar as nossas coisas. Os shows do meu projeto solo são mais esporádicos. Prefiro tocar em um local que te ofereça mais estrutura, que possa ser digno do público.

Rifferama – Como é tocar com a Ana Rosa, tua filha?

Chico Martins – Na minha família tem a Camélia, minha irmã que está gravando um disco, tenho um irmão que dá aula de violão, o meu pai tocava… Com a minha filha é muito bacana. Foi ela quem me reinseriu no cenário infantil, nessa coisa da música inventada. Gravar com ela é o mais legal. É natural ter vontade de ver em um filho um pouco de você e é uma satisfação ver como ela se preocupa em cantar bem e o quanto ela me ouve. Isso não tem preço.

Rifferama – Quando o novo disco do Dazaranha será lançado? Qual o motivo para os seis anos de espera?

Chico Martins – O áudio está completo. Estamos na fase burocrática, aguardando algumas propostas. Deve ser lançado próximo do fim do ano. O Carlos Trilha produziu. Sou suspeito para falar. A gente conseguiu retomar ao Dazaranha original, com aquele cheiro de rancho, mas a roupagem ficou mais universal.

O Trilha entrou de cabeça na história, é um dos melhores produtores, muito experiente, tocou nos melhores palcos do Brasil com a Marisa Monte. Ele soube captar a nossa essência no estúdio (R3, em Palhoça). Ficou bonito. O lançamento do DVD (em 2010) foi um dos motivos. Quanto mais a gente consegue se conectar para diminuir esse prazo, melhor. Fazer um disco é bem difícil. É fundamental ter dinheiro, mas vale a pena pra caramba.

Rifferama – Depois de lançar o novo disco do Dazaranha e sair em turnê, quais são os teus próximos projetos?

Chico Martins – Acho que estou devendo para o mercado um disco instrumental. Também tenho um disco de samba pronto, meio bossa nova, com dez músicas e mais um disco infantil. Nunca quero perder esse lado do infantil. Devo ter mais de 50 músicas para escolher.

Rifferama – Já produzisse algumas coisas, incluindo a banda THE SEARCH 7. Qual é a tua relação com esse tipo de trabalho?

Chico Martins – Já produzi coisas minhas, um disco instrumental para a Mormaii gravado pelo Dazaranha, músicas para o Projeto Tamar e essa banda. Adoro produzir. Não é o foco, mas apura os meus ouvidos. É mais um campo de estudo.

Rifferama – Os fãs do Dazaranha são apaixonados. Como é a tua relação com eles?

Chico Martins – O Moriel (guitarra base e compositor) tem dito que eles são o combustível para que a gente aguente as intempéries do mundo artístico. Mesmo que a gente não toque no Faustão, não venda muitos discos, se tiver uma pessoa falando que gostou da tua música é o bastante para ganhar a noite e voltar para casa feliz. Espero que eles sejam sempre verdadeiros. Os fãs do Dazaranha são demais.

Rifferama – Para fechar. Quais são os teus riffs preferidos?

Chico Martins – O cara que eu mais ouvi na minha vida é o Ozzy. O Zakk Wylde me influenciou muito. Teve uma época em que tive que me segurar nos harmônicos. Gosto muito do Randy Rhoads, do Mark Knopfler e do Gary Moore. “Crazy Train” foi o riff que mais me marcou, mas tem também “No More Tears”, “Perry Mason”, “Cocaine”…

Foto: Carlos Kilian

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

7 Comentários

  1. Grande Chico Martins, o trabalho do Daza é sensacional e grande parte pelo trabalho do Chico, a guitarra timbrada e marcante, com os duetos com o violino são sensacionais. A influencia do Zakk Wylde é realmente comprovada pelo gosto pelos harmônicos sempre muito bem executados e encaixados.

    Excelente matéria, e parabéns ao Chico pelo seu trabalho, e que venha o CD novo do Daza!

    Abraços

  2. Parabéns pela conquista e pela iniciativa Primo!!!! Tá demais esse blog , grande abraço!!

  3. Sabes que com o passar do tempo tenho virado fã desse cara. A influência do Wylde não surpreende. Como o Murilo disse ali em cima, me surpreendeu o lance de músicas infantis. Também fiquei curioso pra saber mais sobre isso.

  4. Coisa linda mô querido, de Biguaçu para o mundo!

    Parabéns pela iniciativa e com certeza sei que cada vez tu se sente mais realizado. Para primeira entrevista, nada menos que o Chico, e isso é só o começo.

    Te desejo todo o sucesso, de coração.

    Abraço.

  5. Parabéns pelo blog e pela entrevista, Daniel. Promete!

    Quanto aos harmônicos à moda Zakk, sempre achei que caiu muito bem nos sons do Daza. Fiquei curioso pra saber em que sons que o Chico teve que "se segurar um pouco".

    Um abraço!

  6. Bom, como a gente costuma dizer: Dazaranha é a melhor banda do mundo. Ou pelo o menos do nosso. É o tipo de banda/música que não enjoamos, por mais que se ouça.

    E ouso, dizer, Chico, que não ter essa representatividade toda (Faustão, venda de discos, etc.) faz parte deste tempero todo.

    Fora isso, me chamou atenção esse interesse dele pela conquista do mundo infantil. Quem sabe role uma próxima entrevista para falar mais sobre as intenções por trás deste desejo? Como professor de crianças, me interessaria muito.

    Parabéns, ao amigo Daniel pela conquista do espaço, digno de seu conhecimento, e ao Chico pela recepção que tem com o público.

  7. Gostei bastante da música e da entrevista.
    Se eu não tivesse lido sobre, ao ouvir a música, bem provável que acharia ser do Daza. Lembra bastante. Como Daza é muito bom, o som solo de Chico Martins tbm é.

    Beijoss

DEIXE UM COMENTÁRIO.

Your email address will not be published. Required fields are marked *