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UmQuarto lança álbum variado e consistente. Ouça “Apenas”

O Rifferama tem o apoio cultural de 30 Por Segundo, Habrok Music e Mini Kalzone

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A história de “Apenas”, primeiro álbum do UmQuarto, poderia ter sido diferente. Em 2017, o vocalista e baixista Mayer Soares fixou residência em Florianópolis com o desejo de fazer parte da cena independente local. Aos poucos, o músico foi conhecendo pessoas que foram abrindo o caminho para apresentar o seu trabalho solo e, com um EP e dois singles lançados, uma banda foi formada para tocar ao vivo com Thiago Mordentte (guitarra), Chico Badalotti (guitarra) e Henrique Recidive (bateria). O álbum estava previsto para sair no seu nome, um financiamento coletivo foi feito para ajudar a viabilizar o projeto, mas no meio do processo os planos mudaram e Mayer batizou o grupo como UmQuarto.

Após dois singles e uma gravação ao vivo divulgados, a banda se isolou durante uma semana em dezembro do ano passado num casarão centenário na Costa da Lagoa, com acesso apenas por barco. Além dos músicos, participaram das sessões o produtor Felippe Pompeo, Lucas de Sá na captação e mixagem e a fotógrafa Manu D’Eça, que registrou essa jornada especial. “Apenas” é um trabalho feito a muitas mãos, trazendo ainda as participações de Léo Costa (piano e órgão) e Lari Machado (piano). A masterização é de Alécio Costa.


O álbum abre com a instrumental “A cor do som”, uma escolha ousada que pode afastar aquele ouvinte desavisado, mas serve como um bom cartão de visitas para a sequência do trabalho. A já conhecida “Sem desprezo”, direta e pesada, talvez fosse mais indicada para faixa de abertura, com um som de baixo bem destacado, característico do Hofner (como um bom beatlemaníaco) e a bateria expressiva. “Acordar”, que foi o single escolhido para ser videoclipe, baixa a dinâmica numa onda mais solar, com um coro redentor no refrão e um solo agradável de Chico Badalotti, que saiu da banda antes do lançamento.

“Apenas” é um álbum consistente, com algumas músicas acima da média e uma sonoridade bem vibrante, mérito para a dupla Felippe Pomppeo, que literalmente regeu o quarteto e tirou o melhor de cada um durante as gravações, e Lucas de Sá, responsável pela parte técnica. Outro ponto positivo desse trabalho é a variedade das composições: durante 40 minutos, o UmQuarto vai da chorosa “Remendo blues”, com uma ótima dobradinha de guitarra e órgão, à psicodelia de “O mar de Madalena”, escrita em homenagem à banda Parafuso Silvestre, mas também faz balada romântica, como em “Sua presença”, e aposta forte no groove na parte final do disco.

O creme de “Apenas” está nas últimas quatro canções. “Algo a dizer” não perde tempo e apresenta o seu refrão antes dos 20 segundos e tem Badalotti solando inspiradíssimo por mais de um minuto enquanto Mayer balança a música o tempo todo. O baixo é o instrumento principal em “Um estranho” e seu bom refrão. “Discussões com Deus” é um dos destaques do álbum, com um solo emocionante de Thiago Mordentte, derretendo tudo com aquele tesão que só quem é apaixonado por rock consegue sentir (e entender). Com novo arranjo e uma melhor produção, “Atemporal” ganhou mais peso e encerra o disco de forma catártica. Uma despedida em alto nível de uma banda que mostra potencial para fazer grandes coisas, agora em trio, apenas.

Foto: Manu D’Eça

Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

Um comentário

  1. Álbum bem bonito. Parabéns!

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