volkmort-rifferama

Volkmort: o Vale celebrando a morte e realizando o funeral*

*por Cristiano “Frank” Gonçalves

A riqueza sonora do Vale do Itajaí é indiscutível. Da região, somente no metal, surgiram nomes como Perpetual Dreams, Rhestus, Before Eden, Juggernaut, Pain of Soul, Goatpenis e Volkmort, que recentemente chegou ao primeiro álbum oficial, “Battle Desolation”. A banda de Timbó, que está na estrada desde 2004 e conta com veteranos do cenário catarinense, traz um disco de poucas e longas composições. A qualidade do áudio é compatível com a sonoridade ríspida: uma produção polida demais descaracterizaria a proposta. Teclados foram desprezados e a aposta foi em muito peso, climas fúnebres e passagens agressivas.

As músicas possuem ligações, ressuscitando o conceito de álbum, o que torna mais agradável a audição na íntegra e não de faixas isoladas. Fazendo uma analogia, algo como “Dark Side of the Moon” (Pink Floyd) ou “Thick as a Brick” (Jethro Tull) do som pesado, onde o interessante é ouvir na sequência. O doom é o estilo dominante, mas há passagens mais rápidas (na linha do death metal do começo dos anos 90) e atmosferas sombrias (típicas do black metal), que trazem diversidade aos temas. Sejam nos momentos velozes ou nos cadenciados, os vocais guturais e potentes são o diferencial para a morbidez sonora da Volkmort.

Dos aproximados 41 minutos, a pequena introdução com pouco mais de 60 segundos poderia ser descartada, pois o clima épico conflita com o restante do registro. Porém, não desqualifica “Sentenced to Death” de ser a melhor e mais versátil faixa, pois apresenta todos os elementos citados no texto. Aos apreciadores de doom metal melancólico e cheio de frescuras, este material não é recomendável. Se fosse um filme, “Battle Desolation” estaria mais para Drácula que Crepúsculo. Sombrio.

*Com 42 anos de idade, é apreciador de música (principalmente sons pesados) desde os 11. Entre 2003 e 2009 escreveu para vários zines eletrônicos e participou das duas maiores revistas impressas de Rock do país. Hoje dedica o tempo ao Mutantes Moto Clube e ao Jiu-jitsu brasileiro, mas sem esquecer da antiga e mais longa paixão.

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

Um comentário

  1. Excelente banda que merece apoio de todo nosso movimento underground nacional .

DEIXE UM COMENTÁRIO.

Your email address will not be published. Required fields are marked *