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Pedro Rocha segue crítico no segundo EP, em nova estética

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O cantor e compositor Pedro Rocha, carioca radicado desde os 17 anos em Florianópolis, onde atua profissionalmente como educador e psicólogo, lançou o seu primeiro trabalho solo em 2024. O EP “Sobre astros e astronautas” mistura psicologia, ecologia, crítica social e até algo romântico nas suas cinco músicas, numa estética mais brasileira, dando ênfase ao violão. Em “autoficção”, seu mais novo registro, divulgado em janeiro nas plataformas digitais, Rocha segue crítico (um pouco mais), mas agora em outra estética. Produzido novamente por Mateus Romero, o artista fez um EP de rap. As cinco faixas do material foram escritas entre 2014 e 2018, mesma época em que o repertório de “Sobre astros e astronautas” nasceu, e são bastante pessoais, como o título sugere. “O letramento sobre o conteúdo dessas músicas vem da minha história, da formação em psicologia, que a gente vem com muitas questões de sociologia, de eu ter participado de coletivos ambientais, por ter trabalhado em contexto de periferia, de escola pública. A parte conceitual dos apontamentos vem disso”, comentou.

A canção mais expressiva de “autoficção”, liricamente, é “Filho da culpa”, que fala sobre o seu lugar de privilégio. A motivação para escrever a música apareceu após o compositor ter assistido o show “Retrato falado”, da cantora Dandara Manoela. “Me marcou muito. Essa música é como um desabado de quem enxerga o mundo a partir dessa lente, de um homem branco privilegiado, mas que vê, sofre e denuncia essas dores do mundo, os lugares de desigualdade, as questões de gênero e raciais que a gente vive de forma geral”, afirmou o artista. Mas nem tudo é crítica nesse trabalho, “Duas paçoquinha” abre o EP de forma bem humorada, relembrando a época em que fez amizade com o cobrador e motorista do ônibus que pegava para ir trabalhar no Monte Cristo. Em contato com o Rifferama, Pedro Rocha explicou o conceito de “autoficção”, falou sobre fazer rap e disse ter vontade de gravar outros estilos como forró e samba.

— O conceito veio depois das músicas, usei para construir um guarda-chuva para o que elas tinham em comum, além de serem todas faixas de rap. Veio essa ideia da autoficção, conheci essa palavra recentemente, um gênero literário, relativamente atual, que mistura realidade, fragmentos de realidade, de autobiografia com imaginação, criação, acho que isso é algo que todas as músicas têm em comum. Elas falam da minha vivência, trazem recordes de histórias minhas, de como vejo o mundo, algumas até fazendo uma certa ironia de mim mesmo, de certas contradições que se vive, mas também de histórias que escutei, de terceiros, coisas inventadas, elas unem esses elementos de ficção e realidade, mas também trazendo esse tom de apontamento para várias questões sociais. O rap convida a isso, né? Eu gostava de escrever poesia, de rimar, improvisar e sempre escutei rap, mas não fazia sentido escrever um rap, meu instrumento é o violão e acabava sempre indo para uma vibe MPB. “Cartão postal” saiu brincando com um amigo, gostei da brincadeira e comecei a escrever uns raps fazendo uma base simples no violão mesmo. Eles ficaram guardados e depois que gravei o primeiro EP veio a pira… Porque não gravar um só com os raps?

Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

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