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“Fluxo de Consciência”, o EP multicores da Brigadeiro Espacial*

*por Alysson Risso da Silva

A banda de space rock tropical Brigadeiro Espacial, de Ibirama, formada em algum momento de 2016 (após idas e vindas), começou a gravar em março de 2017. No mês seguinte, Rafael Bittencourt (o solista mais veloz da cidade) entra para a banda, que vira um quarteto. Com a saída do baterista Daniel Zink, Jeferson Hermann assume os batuques e a produção do EP oficialmente tem início. Talvez uma das grandes dificuldades da nova geração da música psicodélica, a qual o space rock tropical se abarca, é a insistência em efeitos e ambientações exageradas. É certo que a lisergia musical nasce das altas frequências e dos movimentos futuristas que figuram os nossos queridos ruídos de outro mundo. Todavia, os brigadeiros espaciais entenderam que a psicodelia não se resume a pedais de guitarra elétrica e vozes processadas.

O EP “Fluxo de Consciência” é uma legítima mistura brasileira aos moldes tropicalistas elevado à essência contemporânea dos romances urbanos e praieiros. Tim Maia, Pink Floyd, Jimi Hendrix, Caetano Veloso e referências que tangem até mesmo o queridíssimo Tom Jobim; essas são as misturas que nos fazem ouvir o disco e afirmar: “gostei do teu som”. A canção “Ocaso”, após a introdução homônima ao disco, nos resume brevemente o que será o EP: introspectivo, groovado, bem estruturado e temperado na medida certa. Se “Ocaso” não for a melhor canção desse álbum, é, com certeza, uma das melhores das cinco melhores. Os riffs e as “caídas” nos fazem lembrar as canções de Tim Maia na fase “Racional”, além disso, utiliza-se o recurso da poesia recitada logo após o refrão, que casa muito bem com a música.

A terceira faixa do EP, “Maresia”, adentra ainda mais na proposta do space rock tropical da banda. Logo nas primeiras estrofes a vibe praiana do disco se mistura com o caráter urbano e místico, que ao longo da música embarca para o espaço. As duas composições que fecham o trabalho, “Águas de Marte” e “Madrugada”, também foram os dois singles da banda que deram o pontapé para o EP. Ambas são carregadas de viagens praianas e espaciais e solos de guitarra mais do que notáveis.

As linhas de voz (de César de Oliveira, também guitarrista) e a pós-produção casam muito bem com o EP, apesar disso, as linhas de baixo de Ewerton Darosceski não se destacam na mix e a voz muitas vezes soa baixa para aparelhos mais modestos. Aos curiosos pela poesia, saibam que o grupo fez questão de colocar as letras na descrição de cada música no Youtube. Mas “Fluxo de Consciência” foi, sem dúvida, um lançamento maduro para o crescente cenário da música catarinense.

Foto: Alice Schotten

*Alysson Risso da Silva é produtor cultural e guitarrista da Oitavo Eu

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

Um comentário

  1. […] brasileira, algo descrito como um space rock tropical, segundo Alysson Risso escreveu na sua resenha para o Rifferama: uma fusão de Tim Maia, Pink Floyd, Caetano Veloso e Jimi […]

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