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Os melhores EPs lançados em Santa Catarina em 2020

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André Maçaneiro — Distance

Santa Catarina é um expoente da cena (indie) folk no país. Bryan Behr, NOAHS, Pedro Vulpe, Raul Silter, Miguel Rosa… não faltam exemplos. E essa lista acaba de ganhar um nome especial. “Distance”, primeiro EP de André Maçaneiro, é uma grata surpresa. Um trabalho simples, com foco na bela voz e no violão dedilhado do compositor de Florianópolis. As cinco faixas, todas escritas em inglês, transbordam melancolia, com destaque para “Winter Poems” e “Motor Kites”. Uma preciosidade.


BAD NEWS BAD NEWS — What I Need Now (Florianópolis, rock)

A BAD NEWS BAD NEWS nasceu para ser uma superbanda. Formada por Chrystian Guth (guitarra), Thiago Lima (baixo) e Gustavo Marquardt, músicos com passagens por grupos como Display, The Last Station, Hope of Fools e Toda Life, a BNBN revelou para o mundo a cantora Vitória Pedra. Em “What I Need Now”, temos um som vibrante e direto, com vocais incríveis. Com um EP desse em mãos e uma performance arrebatadora ao vivo, o quarteto tinha potencial para ir longe, mas acabou se separando, infelizmente.


Commando 47 — Entre o esboço e a obra-prima

Melhor banda de 2017, segundo o extinto Prêmio da Música Catarinense, o Commando 47 levou quatro anos para lançar o seu segundo EP. E a espera não foi em vão. Novamente com produção de Victor Pradella (O Muro de Pedra), o grupo soa mais maduro. O instrumental está mais trabalhado, principalmente as guitarras. Em “Entre o esboço e a obra-prima” quem rouba a cena é o vocalista Bruno Fri, que divide o microfone com Lucca Diniz. Versátil, o cantor manda bem tanto nas rimas quanto no gutural. E esse rock com rap, com letras positivas, faz do C47 um dos grupos mais interessantes do estado.


Holotrópica — Primeiras impressões

Como órfão dos Skrotes, uma das melhores e mais originais bandas que Santa Catarina já teve, me surpreendi quando conheci o Holotrópica. O grupo de Criciúma adota o mesmo formato, com teclados (Vitor Nesi), baixo (Mateus Back) e bateria (Lucas Rosso), mas trilha o seu próprio caminho sonoro. Gravado ao vivo no estúdio Bravado, “Primeiras impressões” entrega um som quase progressivo, que fica no meio termo entre o jazz e a psicodelia, com muito groove. Se a primeira impressão é a que fica, estou mais do que convencido do talento desse trio. Ficou aquele gosto de quero mais.


JUNE — One not One

A cantora e compositora Julia Sicone, a JUNE, fez história com “One not One”. O EP foi gravado no estúdio Dark Horse, no Tennessee (EUA), por onde já passaram artistas e bandas como Jeff Beck, Taylor Swift, Korn, Evanescence e Mastodon, para citar apenas alguns nomes. “One not One”, distribuído pela Sony Music, tem três faixas, incluindo “Summer Day”, que tem participação do rapper Franky Hill. Um trabalho cheio de personalidade de um dos maiores talentos da música pop no Brasil.


Lucas Moretto Martinez — Crônicas de silêncio e som, vol. 1

Que alguém me prove o contrário, mas Santa Catarina é referência no jazz em nível de Brasil. Não conseguiria listar todos ótimos trabalhos lançados por aqui nos últimos anos (são muitos). E o guitarrista Lucas Moretto Martinez é prova disso. Em “Crônicas de silêncio e som, vol. 1”, o músico não exagera no preciosismo, concentrando seus esforços em tocar belas melodias. O EP foi gravado no estúdio Valvestate, em Florianópolis, com Tiê Pereira no baixo e Paulo Steil na bateria – que cozinha, meus amigos. Alto nível.


Modernas Ferramentas Científicas de Exploração — 4

“4” é um registro simbólico para o Modernas Ferramentas Científicas de Exploração. O projeto, que começou como um duo (Yusanã Mignoni e Leonardo Travassos), hoje é um quarteto e este EP é o primeiro trabalho com essa formação, que inclui Daniel Postal (ex-Orquestra Manancial da Alvorada e Adam e Juliette) e Felipe Braun. O quarto trabalho do MFCE traz quatro faixas, cada uma composta por um integrante, e o resultado não poderia ser melhor. O som relaxante do grupo, guiado por beats criativos, agora ganhou vocais, adicionando um tempero a mais na música feita pelo Modernas Ferramentas. Nunca decepcionam.


Não é mais inverno — Flutuar

O Não é mais inverno, de Laguna, começou 2020 como um quarteto, lançou “Céu”, e acabou o ano como um duo. Enquanto a formação da banda reduziu pela metade, o som se agigantou em “Flutuar”. Não conheço os integrantes, mas garanto que Matheus Pires (vozeirão e guitarra) e Jean LP (baixo) são fortemente influenciados por Legião Urbana: os primeiros acordes de “Sol da tarde”, faixa de abertura do EP, transportam o ouvinte para os anos 80. O clima post-punk segue na próxima faixa, “Ano que vem”, mas a pegada mesmo do grupo é o mais que atual rock triste, estilo capitaneado pelo Terno Rei (SP). Outra baita surpresa.


Orquestra Manancial da Alvorada — Oqma + Ossca (Ao vivo)

O show da Orquestra Manancial da Alvorada com a OSSCA (Orquestra Sinfônica do Estado de Santa Catarina), realizado na 6ª Semana do Rock Catarinense, no TAC (Teatro Álvaro de Carvalho), foi um dos melhores momentos da minha vida enquanto fã de música. Registro feito, devo dizer que “Oqma + Ossca (Ao vivo)” retrata com perfeição o que é a Orquestra Manancial da Alvorada. Tem o humor irreverente do maestro Julian Brzozowski, as composições grandiloquentes e a exuberância instrumental, neste EP a cargo de 23 músicos, com direito a quinteto de metais, quarteto de cordas, trio de madeiras, tímpano e piano. Uma obra-prima.


Raul Silter — Sal

“Sal”, primeiro EP do cantor e compositor Raul Silter, era um trabalho muito esperado. Desde 2018, quando lançou os singles “Tombo”, com o rapper Preto Lauffer, e “Vazante”, a expectativa criada em torno da música desse artista de Laguna só cresceu. Dotado de rara sensibilidade, vide a maravilhosa “Eu sabia que você existia (part. Figueiredo)”, Silter nos abraça com as suas canções, que passeiam entre o folk, o rock e a MPB. Nesses tempos sombrios em que vivemos, ter um Raul Silter é um presente. Obrigado


Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre idas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

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