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(Re)Descobertas da quarentena: Carla Domingues (No One Spoke)

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A soprano Carla Domingues é uma das vozes do projero Rock’n Camerata, um sucesso da Orquestra Camerata Florianópolis desde 2008, que conta com a Brasil Papaya como banda de apoio e os cantores Rodrigo “Gnomo” Matos e Daniel Galvão. Além do seu trabalho na música erudita, Carla tem longa estrada no metal: em Santa Catarina integrou o grupo Enarmonika e atualmente faz parte da No One Spoke, que tem dois singles lançados.


Anekke van Giersbergen – Symphonized (2018)

De maneira geral essa quarentena começou pra mim, assim como para muitos, de uma maneira bem tensa. Trabalhando na área da arte, eu de repente me vi sem perspectivas de trabalho, com muitos compromissos cancelados e demorou um tempo até que eu conseguisse me reinventar. Então como trilha sonora eu acabei buscando músicas que me trouxessem mais serenidade pra conseguir lidar com tudo. Nesse contexto entra o álbum “Symphonized” da Anneke van Giersbergen. Eu sou muito fã do trabalho da Anneke, desde final dos anos 90, quando ela ainda estava no The Gathering. Eu me identifico muito com a voz dela e músicas interpretadas por ela já foram trilha sonora da minha vida em diversos momentos. Esse álbum reúne músicas cantadas por ela em diversos projetos, desde o The Gathering, carreira solo até as colaborações dela com o Arjen Lucassen e o Devin Townsend, em versões para orquestra sinfônica. Pra mim é um grande disco.


Soen – Lotus (2019)

O segundo álbum da minha playlist é o “Lotus” do Soen. Eu aprecio muito o trabalho dessa banda. Pra mim “Lykaia” é uma obra-prima e considero o vocal do Joen Ekelöf é um dos melhores da atualidade. As letras são sempre muito interessantes também e acho que a letra de “Lotus” diz muito sobre a percepção que a introspecção do momento atual nos faz ter.


Gaetano Donizetti – Donizetti: Anna Bolena (1988)

Por último, uma das coisas mais positivas deste período de isolamento foi sem dúvida a possibilidade de troca de informações em vários segmentos na Internet. No que diz respeito ao canto, tem sido muito proveitoso, porque vários artistas, além de lives, têm feito também conferências nas quais falam sobre suas percepções a respeito de técnica vocal. Então eu também tive uma imersão nesse âmbito e voltei a pensar mais sobre a minha técnica, pesquisar novos repertórios e estudar coisas diferentes. Por isso eu tenho escutado muito esse terceiro álbum que é a ópera “Anna Bolena”, de Gaetano Donizetti. Donizetti foi um dos compositores mais importantes do período que ficou conhecido na história da música como bel canto. Ele é compositor da trilogia Tudor, mas a meu ver uma das mais significativas é essa ópera Anna Bolena. A personagem Anna Bolena foi rainha da Inglaterra, esposa de Henrique VII que a mandou decapitar em 1537, acusando-a de traição e incesto, para então casar-se com Jane Saymor. Bolena é mãe daquela que ficou conhecida como Rainha Virgem, a Rainha Elizabeth. Na ópera Donizetti narra a história de Bolena pela perspectiva dela e a ária da loucura é uma das mais conhecidas e ficou muito famosa na voz de Maria Callas e mais recentemente numa performance de Anna Netrebko no Metropolitan Opera, começa com o recitativo “Piangete voi”, passa pela ária “Al dolce guidami” e encerra com a cabaletta “Coppia iniqua”. Enfim, eu tenho escutado muito essa ópera, nessa versão com a Dimitra Teodossiu, e espero ter um dia a possibilidade de interpretar esse papel.

Foto: Tóia Oliveira


Bônus: No One Spoke – Milonga para las Reinas

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

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