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Foto: Ana Bezzi
O multiartista Cauê Dietrich, manezinho que vive atualmente entre Florianópolis e Recife, quase não lançou “Solaris”, faixa divulgada no dia 2 de outubro nas plataformas digitais. A música, que foi composta para ser trilha do desfile da marca Suntime Swimwear no Brasil Eco Fashion Week 2024, em São Paulo, é instrumental e traz a participação de Gabi Mafra no baixo, com mixagem e masterização de Rafa Pfleger. Do primeiro single, “Cair e repetir” (2023), produzido em parceria com Mateus Romero, se mantém a proposta de misturar o orgânico com o eletrônico; “Solaris” é instrumental e tem nove minutos de duração. “Foi um desafio. A marca me deu liberdade para criar. Demorei pra lançar, achava que não tinha perfil para as plataformas, muito grande, não tem nenhum solo. Ela transita de forma orgânica e costurada, são muitas partes diferentes, passa de uma bossa nova para uma pegada mais dançante, com groove”, comentou.
Músico-brincante, Dietrich ingressou na licenciatura em Música na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) em 2018 e, desde então, vem trabalhando em projetos de linguagens diversas como cultura popular, dança e teatro, além de atuar como psicólogo. A experiência em Recife tem sido uma busca de viver cultura popular, que é muito fomentada na cidade e dialoga com a sua formação como artista, fortemente influenciada pelo contato com a capoeira e o boi de mamão. A própria tradição do manguebeat, de misturar a raiz com as tecnologias, foi mais um atrativo para a mudança de ares. “Solaris” abre caminho para um novo lançamento, “Espirais”, que deve sair ainda neste ano, e segue a linha da experimentação, com participações do percussionista Nino Alves e do coral da aldeia guarani M’Biguaçu. Em contato com o Rifferama, Cauê Dietrich falou sobre a conexão Floripa x Recife e a sonoridade do seu novo single.
— Estou num momento mais nômade, saí de Floripa para tentar estar em outros lugares. Essa coisa de brincante é um termo que se usa bastante aqui no Recife, nas pessoas que trabalham com cultura popular. Tive a oportunidade de aprender muito com boi de mamão e capoeira, que são dois pontos fortes na minha formação. Me interesso muito nessa conexão da música com a dança e tenho curtido fazer essas experimentações eletrônicas numa forma de juntar esses interesses. Tenho um pouco mais de traquejo com a percussão, mas me arrisco a tocar guitarra, piano, cantar, montar uns beats, fazer uns efeitos, a gente junta vários gostos e especificidades além de ser um instrumentista. “Espirais” tem essa referência que eu tenho de trabalhar com a dança, dando oficinas de improvisação. Essa música surgiu em 2018 e fala de coisas da natureza, trazendo esse tempero mais psicodélico que os eletrônicos favorecem.

