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Gil Roseiro teve uma estreia dupla em 2018, com o seu primeiro trabalho solo, “Roda da vida”, e o EP “Gaia”, do Organicus, formado com Samir Roseiro, que é baterista. Natural de Vitória (ES), o pianista e compositor veio ainda criança para Florianópolis, onde a família manteve uma escola de música até 2020, mesmo ano em que se juntou ao irmão na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). A vida acadêmica trouxe muitas parcerias, novos repertórios, diferentes formações e estéticas e multiplicou a sua discografia: desde 2023, o músico lançou sete álbuns (incluindo um registro completo do duo, “Gaporim”, que saiu em 2025). Neste ano, Gil Roseiro divulgou “Boa viagem”, um quarteto com o manezinho Pedro Couto (guitarra), Theo Rathsam (baixo) e Gil Roseiro (bateria), todos estudantes da Unicamp, e “É muita água”, material de piano solo.
Esses álbuns são dois dos trabalhos mais especiais que o músico já fez. O primeiro, com a banda, é uma homenagem ao guitarrista Pedro Couto, que atualmente vive na Áustria, e representa essa amizade construída nos tempos de universidade. “Talvez foi o disco que eu mais gosto agora, ele foi uma pessoa fundamental para tudo, um amigo incrível e um músico foda. Fizemos muito som juntos, não dá nem pra contar. Encontrar outros músicos que são de Floripa, fora, mudou a nossa vida. O Theo também tem uma ligação, o pai dele também é daí”, comentou. “É muita água” deve ser até o momento o registro que surgiu na condição mais improvável. O álbum foi gravado em um navio de cruzeiro em que o pianista trabalha tocando todas as noites e os títulos dos temas fazem menção a algumas cidades pelas quais passou, como Istanbul (Turquia), Split (Croácia), Valetta (Malta, foto em destaque), entre outras. Em contato com o Rifferama, Gil Roseiro falou sobre a experiência de produzir embarcado e adiantou o seu próximo projeto.
— Tem alguns meses que estou trabalhando em um navio de cruzeiro, toco todo dia, mas tenho o meu espaço e tempo para estudar. “É muita água” foi inspirado pelas cidades que eu passava. Foi uma loucura, eu já tinha planejado tentar gravar alguma coisa, mas não sabia como seriam as condições de piano, dos equipamentos, dei sorte de ter um piano de cauda bom disponível no teatro em que eu toco, levei uns microfones e fiz tudo por conta. Foi um disco inesperado. Eu gravei muito material em vídeo falando sobre o processo de cada uma das músicas, eu tinha deixado em um computador que queimou e só sobraram os áudios das músicas e a capa do disco. Ainda preciso circular com ele, quero fazer um show de lançamento em Floripa, tocar mais. Tem mais coisa vindo, alguns segredos, mas posso falar que é um disco em grupo gravado aí. São músicas nossas, coisas do Sul, Nordeste, e do Espírito Santo também, a variedade é sempre grande.

