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Julia Döhler estreia como compositora no álbum “Causaria”

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Foto: Sérgio Caddah

O começo da trajetória de Julia Döhler na música é um prato cheio para os que acreditam no acaso. A artista de Joinville estreou como intérprete em 2020 a convite de uma marca, com o single “My Kind of Style”. O curioso é que a canção, em princípio, era para ter sido gravada por uma amiga. A oportunidade caiu no colo e foi aproveitada. “Eu precisava assumir o meu sonho de ser cantora, era um momento de pandemia e senti até como um sinal. É minha, mas não é minha”, contou. Voltando aos acasos, Anaisa, a amiga que gravaria “My Kind of Style” na versão original, faz um tributo à Amy Winehouse em São Paulo e Julia assistiu a um desses shows e pirou na banda e nos arranjos, a cargo do produtor Agenor de Lorenzi. A vida seguiu e, enquanto fazia uma mentoria de aceleração artística com Jacques Figueras, veio a ideia de produzir um trabalho audiovisual. Faltavam as composições, os músicos, o recurso para viabilizar o projeto…

Chegou o momento de escrever as músicas. Sem experiência, Julia criou a primeira base de “Causaria”, canção que batiza o seu álbum de estreia, lançado em 28 de agosto nas plataformas digitais, fazendo os sons dos instrumentos com a boca e salvando as ideias no GarageBand. Com os beats que encontrou no aplicativo, a cantora e compositora foi criando o repertório do disco, que foi gravado ao vivo em setembro de 2025 no estúdio Arsis, em São Paulo — confira a ficha técnica abaixo. A produção foi custeada via financiamento coletivo, mais uma ideia de Figueras. Entre outras coincidências, poucos dias antes de gravar o material, os pais da artista conheceram o seu empresário Daniel Campos em um restaurante em Joinville. Com um audiovisual de alto nível em mãos, Julia Döhler planeja circular com esse show e já tem composições para um segundo álbum. Em contato com o Rifferama, a artista falou sobre a estreia como compositora.

— Como vender um show se a gente não tem as músicas? Com as composições, fazendo a mentoria e o planejamento do show, mandei as músicas para o Agenor, ele adorou e escalou um time maravilhoso. Dois dias antes do show acontecer, meus pais estavam em um restaurante e começaram a conversar com um cara da mesa do lado que era produtor musical e hoje é meu agente. Eles falaram de mim e mostraram um vídeo do ensaio. Foi um alinhamento divino e dos planetas. Ele vem até São Paulo, começamos a trabalhar juntos e fizemos o negócio acontecer. A gente fez essa produção pensando na divulgação do show, tentar fechar festivais, não em um álbum. Chegamos até a pensar em soltar um single, mas vimos que as músicas têm esse conjunto da minha história e fazia muito sentido lançar completo. Quero escrever músicas que acolham dores e elevem a vibração para coisas boas. “Causaria” é um manifesto, meu primeiro trabalho, estamos plantando essa semente.


Ficha técnica

Julia Döhler: Voz e composições, com exceção de “Se ama pra me amar” e “Se aqui for seu lugar”, em parceria com Pedro Souto Maior
Agenor de Lorenzi: Piano, teclados, programações, arranjos e produção
musical
João Oliveira: Guitarra
Sérginho Carvalho: Baixo
Raphael Sampaio: Trompete
Mucão Silva: Bateria
Estúdio de gravação: Arsis
Captação e mixagem: Adonias Souza Jr.
Desenho de luz: Carol Autran
Produtora de vídeo: Rawziski Registros Musicais
Edição de vídeo: Diego Gauziski
Imagens: Thamires Mulatinho, Laura Campanini e Leo Rudá

Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

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