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Foto: Anderson Durval
Fazer música, em muitos casos, é um ato de desapego. Nem sempre o resultado é aquele que foi imaginado quando a canção nasceu. “A coisa em si”, primeiro EP de Igor Amarante, divulgado na última quinta-feira (20 de agosto) nas plataformas digitais, é fruto desse exercício de abraçar as imperfeições. Gravado no Estúdio Abacateiro, no Canto da Lagoa, em Florianópolis, por Mateus Romero, a estreia do cantor e compositor é um registro artesanal, diferente do que o artista gaúcho radicado em São José tinha planejado. “Queria fazer ele mais produzido. Tinha música que pensei com violino e mais instrumentos. Tive que lidar com várias frustrações, tentei gravar em casa, mas nunca ficava o resultado que queria. Depois aceitei essa ideia de ser mais simples mesmo, em voz e violão”, comentou Amarante, que produziu, cuidou da mixagem e masterização e desenhou a capa do EP.
Depois de tentar gravar as canções em casa, o músico teve a ideia de fazer a captação ao ar livre, para pegar o som do ambiente, mas o objetivo também não se cumpriu. “A coisa em si” não tem edições, tanto na voz quanto no violão. Esse lado humano faz parte da estética do EP. O cantor e compositor também precisou lidar com a decisão de deixar alguns ruídos nos fonogramas como latidos de cachorros, incluindo o seu Bob, que foi adicionado depois, e também barulho de mar e de conversas e outros sons. “Eu queria que fosse mais intimista mesmo, mas os ruídos e barulhos eu fui aceitar um pouco mais pra frente e acabei gostando como ficou. Não foi algo que pensei e hoje entendo que acabou fazendo parte da estética do EP”, explicou o artista. Em contato com o Rifferama, Igor Amarante falou sobre o processo artesanal de “A coisa em si” e seus planos para o futuro.
— A capa é feita com um desenho que fiz também e não sei desenhar direito. Tem toda essa cara artesanal e acabei aceitando isso pra minha voz também. Em nenhum momento pensei em ser uma coisa totalmente diferente, essas imperfeições estavam mais ligadas à ideia do EP em si. As músicas falam de uma forma de ver a vida, vendo a particularidade das coisas, aceitando as imperfeições, elas acabaram casando com a arte da capa e a estética sonora. Talvez eu tenha conseguido passar por essas frustrações porque eu confiava bastante nas composições, gosto muito dessas músicas e das letras, dos caminhos que acabei percorrendo naquelas ideias. É uma coisa que me manteve firme para aceitar o que me incomodava. Eu pretendo lançar outras coisas, tenho algumas músicas antes do “A coisa em si” que deixei separadas. Ainda não sei como vou fazer, se tiver que fazer outro projeto dessa forma não vejo problema, gosto dessa coisa mais intimista, não só na estética, mas da criação.

