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Foto: Cassiano Ferraz
O que eleva um disco ao status de clássico? Importância em determinada época? Influência para gerações futuras? Qualidade acima da média? Em nível regional, “Samambaia Sound Club”, álbum de estreia do grupo de mesmo nome, relançado nas plataformas digitais na última quinta-feira (13 de agosto), remasterizado por Rafael Pfleger em comemoração aos seus 20 anos, carrega um pouco dessas características e mais. Fundadora do Clube da Luta, em Florianópolis, a SSC não soava como nenhuma outra banda do coletivo ou artistas da cidade. “A gente estava numa espécie de limbo: a SSC não era tão MPB e catarinense quanto Tijuquera e Dazaranha, nem tão brasileiro e samba quanto Tatiana Cobett, Luis Canela e Silvio Mansani, também não era indie tanto quanto Pipodélica e Aerocirco, ou rock raiz como Da Caverna e Os Berbigão”, relembrou o cantor e compositor Jean Mafra.
A Samambaia Sound Club compartilhava uma característica valiosa com os seus pares: identidade própria. Thiago Gomes (guitarra), Marco Antônio Jaguarito (guitarra), Daniel Gomes (baixo) e André Guesser (bateria e percussão) eram uma banda de rock, com energia e groove de sobra no palco, e Mafra fugia do estereótipo do estilo, letrista provocativo e cantor performático. As referências do quinteto explicam como “Samambaia Sound Club”, o disco, soa. Tem elementos de Red Hot Chili Peppers, música eletrônica, Nação Zumbi, James Brown, Jorge Ben e, no âmbito local, Phunky Buddha, grupo do qual Guesser fez parte. “A gente tinha um caminho muito nosso. Tudo isso estava misturado no som e esse disco espelha um pouco disso”, comentou o vocalista. A SSC lançou mais um disco em 2010, “Sim não”, antes de encerrar as atividades”, e fez shows em 2016, 2023 e no ano passado. Em contato com o Rifferama, Jean Mafra relembrou essa fase da banda.
— Esse álbum foi gravado por uma banda imatura em estúdio. Gravei todas as vozes em um único dia. Com a remasterização algumas coisas ficaram melhores de ouvir. Tínhamos grandes composições e alguns arranjos muito bons, eu tinha uma pegada diferente, uma temática mais sexual, ligada à provocação e à poesia, meio maldita, punk. As influências eram muito claras, que tinham a ver com o groove. Havia uma certa comunhão entre nós. Era bom, a gente tinha qualidade, mas estava fora do eixo. Ainda sim, rodamos para caralho, tocamos em São Paulo. É um disco que tem boas canções, boas ideias. “Ideia” é uma letra que eu tenho muito orgulho, se essa música tivesse sido lançada por uma banda do eixo Rio/São Paulo, ela estaria por aí.
Ficha técnica
Voz: Jean Mafra
Guitarras: Thiago Gomes
Baixo: Daniel Gomes
Bateria e percussão: André Guesser
Percussão (convidados): Ana Terra, Giulliano “Galêgo” Andreas e Osvaldo Pomar
Guitarras (convidado): Fernando “Zenk” Baasch
Vocais (convidados): Ana Carina Baron, Andrea Black, Marco Antônio Jaguarito e Mario Cavalheiro
Produção: Samambaia Sound Club e Jorge Gomez
Mixagem e masterização: Jorge Gomez e André Guesser
Projeto gráfico: Juliano de Oliveira
Remasterização: Rafael Pfleger

