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MC Jaq migra do funk pra o trap com single “Maldita vampira”

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Desde os 17 anos, quando começou a cantar mega funk, MC Jaq foi uma voz destoante no estilo, que é um fenômeno em Santa Catarina. Natural de Rio do Sul e moradora da vizinha Ituporanga, a cantora e compositora trouxe a sua forma de escrita para um ambiente muitas vezes misógino e sexista. Nos quatro singles que lançou entre 2024 e 2025, a artista jogou o jogo sem passar dos seus próprios limites. Ser uma funkeira lésbica também foi um obstáculo que Jaq teve de enfrentar na sua curta trajetória. “Em Santa Catarina é difícil ser homossexual e fazer música. Tem DJ que não quer fazer som contigo por isso, quando mando a ideia da letra… todo mundo quer aquela questão da putaria, é uma coisa que não curto cantar, não faço de jeito nenhum. Não vou xingar uma mulher nas minhas músicas”, contou a MC, que neste ano tomou uma decisão ousada.

“Maldita vampira”, single lançado no dia 29 de abril nas plataformas digitais, apresenta um novo caminho para a artista, que começou a cantar na igreja, passou pelo rock e pela MPB antes de adotar o funk . A faixa segue a estética do trap que, segundo MC Jaq, comporta melhor o que tem a dizer. Essa transição não quer dizer que a cantora e compositora vai abandonar o estilo e está aberta a convites para gravar. “Quero fazer a mistura dos dois, tem bastante beat que vai estar tocando funk, mas também vai ter essa batida do trap junto”, explicou Jaq, que lançou “Maldita vampira” como um teste para o público entender essa sonoridade que pretende trabalhar nos seus próximos lançamentos. Em contato com o Rifferama, a MC falou sobre a incompatibilidade do seu discurso com o funk e a experiência com o trap.

— Eu sinto que no trap consigo me expressar melhor na letra, é mais fácil escrever uma letra que tem uma história que é mais comprida do que eu fazer uma música encurtada de funk. Se for escutar um mega funk meu, tem uma história. Mesmo conseguindo fazer os dois, parece que o trap fui melhor. O funk infelizmente é difícil tentar me encaixar, os meus sons têm uma sensualidade, tento jogar para esse lado sem ultrapassar do limite do que cantaria. Já tentei fazer outros sons um pouco mais vulgares e me dá muita vergonha, é um negócio que não consigo, penso na minha família, tenho um público adolescente e tem muita gente me olhando que não quero acabar “magoando”. Não pensava que faria trap, mas tenho umas cinco ou seis músicas de trap engatadas, eu consigo fazer o som em qualquer base, tenho mais lançamentos que sei que serão legais de trazer para as pessoas.

Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

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