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Molitium mescla estilos em estreia de peso e qualidade*

*por Alessandro Bonassoli

Laguna é conhecida por ser berço de Anita Garibaldi, um dos maiores ícones históricos do Brasil, e por ter um dos carnavais mais famosos do país. Mas, no underground, é mais lembrada por sediar um dos raros festivais de música pesada em atividade, o Laguna Metal Fest. Era óbvio que boas bandas iriam surgir na pacata cidade da região sul do estado. São de lá, por exemplo, Figure #5, Underworld Secret e Alkanza. Mas hoje a conversa é sobre o Molitium, uma excelente revelação do heavy metal catarinense.

No início, o grupo se chamava Diemordinate, que chegou a lançar o EP “Fight For Freedom” com três faixas. As prováveis complicações com o nome foram notadas e Egvar Hermann (voz e guitarra), Renato Campos (guitarra), Renato Lopes (baixo) e Victor Cezar Fagundes (bateria) fizeram a troca por Molitium, cuja pronúncia e compreensão têm mais viabilidade. O processo de produção de “Progeny” levou dois anos. Gravado em Imbituba, produzido pela própria banda e com uma contribuição de José Roberto “Chapolim”, o álbum teve ainda contribuição de Marcelo Braga, que mixou e masterizou as nove faixas. Logo após, Fagundes e Lopes saíram de cena por razões pessoais, sendo substituídos, respectivamente, por John Kuntze e Lucas Pavei, escolhidos, inclusive, com a ajuda dos ex-integrantes.

Mas vamos ao som. Tesseract, Dream Theather, Alter Bridge e Angra são as influências oficialmente reveladas pelo Molitium. Ou seja, na teoria, é prog metal. Mas, ouvindo com mais atenção, há ali uma vibe modernosa, talvez pela voz de Hermann, que lembra muito o timbre de Michael Poulsen, do Volbeat. Eu, definitivamente, não classificaria esse excelente álbum como prog metal. São tantas as influências que surgem a cada nova audição que não arrisco a dizer nada mais do que heavy metal, da melhor qualidade!

“Left to Die”, repaginada em relação à versão do EP gravado na outra fase da banda é um excelente cartão de visitas. Dinâmica, com variações empolgantes, com muito groove, é intercalada com um refrão bacana, já mostrando o ótimo vocal. “New Reborn” parece ter ainda mais contraste entre o peso que baixo e bateria tem com o vocal. E que solos são aqueles, meus amigos? Hermann e Campos reúnem harmonia, técnica e velocidade na medida certa. Uma de minhas favoritas é “Desert of  my Soul”, onde o refrão e a mudança de andamento também são destaques. O bacana do Molitium é que quando os arranjos poderiam migrar para um lance mais moderno, tipo “como sou vacilão /não beijei e agora ela me deixou/ai que dor no coração” entra uma espetacular camada sonora de peso.

A qualidade de gravação apuradíssima percorre o álbum. “Helpless Fate”, a longa “We’re Not Victims” (que também estava no EP anterior) e “Fight for Freedom” demonstram isso perfeitamente. Mas os maiores destaques são “Through the Sands of Time” e “Colateral”. A primeira já lidera minha lista de “melhor do ano”. Ainda temos mais quatro meses até dezembro, mas acho difícil alguém desbancar essa pedrada. A conclusão de “Progeny” – que está disponível nas plataformas digitais, mas em breve ganha versão em CD – é a única em português. Densa e acessível simultaneamente, é mais uma prova de que metal não precisa ser cantado somente em inglês. Seus autores, por outro lado, são a prova que Santa Cataria não precisa provar nada para ninguém. Aqui se faz música pesada de muita qualidade também.

Foto: Janini Dagustin

*Alessandro Bonassoli é jornalista e colaborador da revista Roadie Crew

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

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