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OQMA + OSSCA: pluralidade atemporal para conectar gerações*

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*por Raphael Günther

Buscarei nessa resenha deixar algum pensamento especial para você leitor, certamente fã de música. Se não for, talvez seja um bom começo. Porque aqui falamos sobre uma música que agrega, conecta, transcende.

O álbum OQMA + OSSCA (Ao Vivo) foi gravado ao vivo durante a 6ª Semana do Rock Catarinense, em performance conjunta da Orquestra Manancial da Alvorada com a Orquestra Sinfônica de Santa Catarina. Proposta grandiosa. As obras executadas por 23 instrumentistas são composição do jovem maestro Julian Alexander Brzozowski, de apenas 28 anos. Aliás… Pode chamar de maestro? Parece status de gente com mais idade, né? Bobeira nossa. E novos tempos na música. Teria sido assim com Beethoven, Mozart? Sem comparar, mas já comparando. Precisamos sempre pensar sobre.

A música é de big band, e não há destaque para um instrumento em especial. Tudo faz parte. Claro, é música de orquestra. Mas é tão roqueiro. Uma linda harmonização de conceitos musicais. Explorando as dinâmicas ricas de orquestra, temos sopro, cordas, percussão e voz embalando MPB, folk, jazz, choro, baião, clássico e progressivo, entre outros subgêneros, do brega ao requintado, sem arestas.

São aproximadamente 27 minutos de audição. Separar por faixa é perder o conjunto. Aquela “sensação de girassol procurando o sol”, do roqueiro que ouve a flauta no Jethro Tull pela primeira vez, é sempre presente. Fiquei curioso pra saber como se sentiria João Gilberto ao ouvir o álbum. A performance dos músicos é excelente. Bem ensaiados. Bem regidos (são duas orquestras, não esqueçamos). A gravação é muito boa também. Limpa, equilibrada. Ao vivo não se tem muito controle, mas aqui funciona.

Nas inserções de voz podemos imaginar Frank Zappa, com seu humor complexo, portando-se como um circense mambembe, apresentando seu espetáculo num traje de Chacrinha. Os nomes de algumas faixas são uma boa referência (“Romaria in Roraima” e “Penne da Crypta”, por exemplo). A OQMA se posiciona como um tecelão de gêneros musicais, que tece sua colcha de retalhos com uma pluralidade cultural que estampa “Brasil” entre seus pedacinhos.

Traço aqui um paralelo com a americana Snarky Puppy, pois cada uma em seu respectivo universo, são representantes de uma vertente mundial de bandas viajantes do tempo, que conectam gerações ao trazerem música “de ontem” para os jovens, ao mostrarem para os reconhecidos músicos mais velhos que o jovens inexperientes podem fazer música boa, ao ensinar que rotular estilos é segregar as pessoas, e não é pra segregar que fazemos música.

A riqueza está na pluralidade musical, num sentido bem amplo. E quanta riqueza! O ponto questionável do álbum são as inserções faladas. Tenho certeza que ao vivo funcionou muito bem, agregando à performance. Mas apenas ouvindo, acabam catalisando a sequência musical. Vida longa a essas duas orquestras. Que possam renovar a inspiração musical de gerações e gerações.

Foto: Márcio Henrique Martins/FCC

*Raphael Günther é fotógrafo, professor universitário e guitarrista da Inverted Colors

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

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