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Os melhores álbuns lançados em Santa Catarina em 2021

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Brunno Manfra — Passeio com monstros

O músico e poeta Brunno Manfra, paulista radicado em Florianópolis, tem um jeito muito próprio de interpretar as suas canções. Em “Passeio com monstros”, álbum produzido em parceria com Lucas Pasquini, o compositor direciona os seus versos para as sombras — externas e internas. Ainda que menos lapidado (esteticamente) que o seu primeiro disco, “Sobre o voo dos elefantes”, um trabalho mais solar, lançado em 2015, Manfra preserva a candura ao cantar nesse esquisito e, sobretudo, belo registro.


Carolino — Carolino

“Carolino” é o trabalho solo do cantor e compositor Guilherme Carolino, natural de Patos de Minas (MG). O músico passou cinco anos em Florianópolis, onde gravou o álbum, que apresenta uma mistura irresistível de ritmos brasileiros e latinos com pegada roqueira. Além de escrever boas canções, Carolino reuniu uma banda dos sonhos, com Mauro Fontoura (Muñoz) na guitarra, Chico Abreu (Skrotes e Mandale Mecha) no baixo, Samuel Fontoura (Muñoz) na bateria e Fabio Cadore (Orquestra Manancial da Alvorada) na percussão.


Guilherme Simon — Corrente

“Corrente” é um álbum sobre saudades: de pessoas, lugares e momentos. Um trabalho triste, mas ao mesmo tempo esperançoso, que revisita sentimentos e revela o íntimo do cantautor Guilherme Simon. Ex-vocalista da banda Cavaleiros Marginais, de Tubarão, o artista lançou o seu primeiro trabalho solo em 2016, o EP “Cabeça limpa”. Em “Corrente” o compositor reafirma o seu talento para escrever canções, como na dolorosa “Nada de ti”. Obrigado por dividir, emocionar e garantir que tudo vai passar.


IMANI — Força e fé

Em pouco mais de 20 minutos, o quarteto IMANI, que significa fé na língua swahili (idioma mais falado na África, utilizado em mais de dez países), encanta e faz pensar. Addia Furtado, ANIS, Dandara Manoela e Marissol Mwaba, com produção de Dessa Ferreira, criaram algo especial. O primeiro álbum do grupo apresenta uma profusão de vozes e batuques, como uma celebração atravessada pela ancestralidade. “Força e fé” é uma declaração potente contra qualquer tipo de opressão, um trabalho de relevância social e precioso musicalmente.


Mazin Silva — Balaio de gato, vol. 2

O guitarrista Mazin Silva, de Blumenau, acumula prêmios, shows internacionais e participações em programas de TV ao longo da sua carreira, que começou em 1987. Versátil, o músico participou de bandas, acompanhou cantores e construiu uma carreira solo de respeito. A sequência de “Balaio de gato” chegou com 15 anos de diferença e mostra um instrumentista fluente no jazz brasileiro, mas também generoso, deixando espaço para os colegas brilharem — Caio Fernando (baixo) e Jimmy Allan (bateria), parceiros de sempre, formam uma cozinha incrível.


Mission Pilots and the Dropkick Apollo — Mission Pilots and the Dropkick Apollo

O álbum do Mission Pilots and the Dropkick Apollo, como já escrevi, era o mais aguardado do ano. E o trio formado por Rodrigo Nascimento (guitarra), Felipe Parucci (baixo) e Gustavo Brazzalle (bateria) não decepcionou. Com a soma providencial de Thales Muniz nas teclas, mais Lucas Lorenzo na guitarra, o grupo conseguiu captar a essência do seu show, emendando uma pedrada na outra. Entre o stoner rock e a psicodelia, “Mission Pilots and the Dropkick Apollo” te embarca numa viagem sensorial. Melhor disco de rock de 2021.


No One Spoke — Nine Mirrors

“Nine Mirrors”, álbum de estreia da No One Spoke, tem uma lista grande de acertos. O principal, talvez, seja ter feito um disco de metal soar acessível, mesclando o peso do estilo com a grandiosidade do erudito. A performance dos integrantes é de cair o queixo em diversos momentos, com destaque para a soprano Carla Domingues e seu alcance expressivo. As partes de violino (Iva Giracca) e piano (Thiago Gonçalves), quando aparecem, elevam o nível do metal sinfônico/progressivo da No One Spoke, que gravou um disco impecável, como poucos vistos por aqui.


O Elevador — Nada para num instante

O Elevador é a principal banda da cena de psicodelia em Santa Catarina. O grupo de Itajaí passou com honras pela prova do segundo disco, com “Fantasia”, lançado em 2018, criando grande expectativa para o seu sucessor. “Nada para num instante” é um álbum superior em todos os quesitos, com uma melhor produção e músicas mais trabalhadas. Captado, mixado e masterizado pelo guitarrista Thiago de Paula, que também escreve as letras e toca teclado, o disco traz canções espaciais, com aquele vocal “enterrado” e ótimos refrãos.


Palavra Feminina — Pés calejados

Como o DJ Yzak (Consciência x Atual) anuncia na introdução do álbum, “Pés calejados” é uma obra edificante. A sonoridade é old school e mais orgânica, com guitarra e baixo gravados, batidas simples, scratches, samples e participações especiais. O terceiro disco do Palavra Feminina, de Blumenau, marca os 20 anos de estrada da dupla formada por Janaina Jascone e Kathy, que seguiram caminhos diferentes após o lançamento desse trabalho. Pela importância desse projeto, que influenciou o surgimento de muitas MCs pelo estado, e pelo discurso forte, “Pés calejados” merece ser reverenciado.


Rafael Calegari — Baixo ao lado

Referência no jazz, na música brasileira e instrumental, o baixista, compositor, arranjador e produtor musical tubaronense Rafael Calegari soma mais de 200 gravações nesses 25 anos de carreira. Faltava um álbum para chamar de seu. “Baixo ao lado” é a cereja do bolo na trajetória de um dos músicos mais importantes do estado, que fez questão de compartilhar esse momento com os amigos. Cada uma das dez faixas apresenta um convidado da mesma categoria e o resultado não poderia ser outro: a estreia de Calegari como artista solo é um presente.


UmQuarto — Apenas

“Apenas” é um álbum consistente, com algumas músicas acima da média e uma sonoridade bem vibrante. Mérito para a dupla Felippe Pomppeo, que literalmente regeu o quarteto (agora trio, com Mayer Soares, Thiago Mordentte e Henrique Recidive) e tirou o melhor de cada um durante as gravações, e Lucas de Sá, responsável pela parte técnica montada num casarão centenário na Costa da Lagoa, em Florianópolis, com acesso apenas por barco. Outro ponto positivo desse trabalho é a variedade das composições: tem blues, balada, psicodelia e muita identidade. Uma estreia e tanto para a UmQuarto.


XEI & Sons In Black — Coulrophobia

“Coulrophobia”, apesar de levar a palavra medo no título (fobia a palhaços, nesse caso, os de verdade e principalmente os do governo), transborda coragem. O primeiro álbum do projeto XEI & Sons In Black se destaca por dois motivos. Em um meio por vezes conservador como o do metal, o vocalista e produtor musical Alexei Leão (Stormental) não se isenta de apresentar o seu posicionamento político e criticar o estado das coisas no Brasil. Leão e sua banda também chamam a atenção por tentarem inovar musicalmente em um estilo tão saturado.

Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

3 Comentários

  1. […] ao palco pela primeira vez para apresentar o repertório do álbum “Apenas”, um dos melhores de 2021 segundo o […]

  2. Varias sonzeiras, mas o destaque foi Palavra Feminina — Pés calejados.
    Produção, letras, capa, flow... tudo de primeira.

  3. […] Os melhores álbuns lançados em Santa Catarina em 2021 […]

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