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Parafuso Silvestre apresenta lado sombrio no EP “Atos mortos”

Obstinação. Substantivo feminino que quer dizer apego forte e excessivo às próprias ideias, resoluções e empreendimentos. Pode ser também pertinácia, persistência e tenacidade. Não existe melhor palavra para descrever a Parafuso Silvestre, que lançou no dia 31 de maio o EP “Atos mortos”, o segundo da trilogia iniciada com “Contra o corpo e contra a mente”, de março de 2017. O trabalho tinha data para sair e mesmo com o locaute que parou o país, o quarteto conseguiu finalizar o material em tempo, seja pegando carona até o estúdio Valvestate ou aproveitando a cidade vazia para fazer a sessão de fotos.

São diversos os pontos que podem ser destacados em “Atos mortos”, começando pela evolução da proposta do grupo. A sonoridade do EP é mais sombria, com ainda mais elementos, efeitos e samples. A Parafuso Silvestre soa mais madura, e esse crescimento se observa, também, nas letras escritas pelo vocalista Taro Löcherbach. Quem esperava o romantismo de “Flor” se deparou com um discurso politizado e desiludido, como em “Nem sempre”: “Eu tento dizer não/Num país onde todo mundo é ladrão/E é difícil ter fé na invalidez/Quando vileza é cálculo/Todo dia um espetáculo/Onde os heróis/São os otários/Da vez”.

Ambos os EPs são muito bons, mas diferentes. E um fator que pode ter influenciado essa leve guinada estética é a troca de papeis entre Julio Victor, que ficou com o baixo dessa vez, e Bruno Arceno, responsável pelas seis cordas no novo registro. Em “Atos mortos” a guitarra está por toda parte e atua como o fio condutor das músicas, enquanto no trabalho de estreia o instrumento preenche os espaços de forma delicada, com exceção do solo superlativo da já citada “Flor”, que pode entrar no repertório da 6ª Orquestra de Baterias.

A dedicação dessa galera não valeria de nada se o trabalho não fosse de qualidade. “Falar pra quê”, “Terno com ninguém dentro” e “Nem sempre” ganharam um lyric video cada, todos produzidos por Julio Victor. Parte da captação do EP, editado por Beto Fonseca e mixado e masterizado por Júlio Lemos, foi feita pelo baterista Juarez Mendonça Jr. E essa pegada do it youserlf só reforça o valor da banda. Se todo grupo tivesse o talento, a energia e, principalmente, a iniciativa da Parafuso Silvestre, o cenário musical de Santa Catarina teria muito menos lamúrias e mais resultado.

Foto: Mandy Justo

Nasci em Blumenau, mas fui criado em Biguaçu, cidade em que vivi até os 28 anos: hoje moro em São José. Sou jornalista, me formei na Estácio de Sá e trabalhei no jornal Notícias do Dia, a minha casa entre 2009 e 2016, entre indas e vindas. Escrevia sobre esportes no impresso, mas sou apaixonado por música, a melhor invenção do homem.

4 Comentários

  1. […] – Sábado Evento: Noite Indie Atrações: Outros Bárbaros (Foto), Gambitos, Parafuso Silvestre e Fevereiro da Silva Local: Célula Showcase Horário: 23h Valor: Pague quase quanto […]

  2. Daniel e Rifferama sempre garimpando coisas boas da nossa região. Parabéns pelo excelente trabalho. Parabéns também à excelente competência do pessoal da Parafuso Silvestre, pois exprimem excelência musical.

  3. O trabalho que o Daniel Silva e colaboradores realizam é muito importante para criar relações, documentar e ajudar compor o discurso sobre a produção musical catarinense. Por isso o retorno positivo do Rifferama sobre o trabalho da Parafuso e também sobre a maneira como trabalhamos nos deixa muito motivados! Abraço Daniel! E vida longa ao Rifferama!

  4. Que Lindo!!! Muito obrigada pelo reconhecimento do trabalho da Parafuso Silvestre Rifferama! Parabéns à Parafuso por esse baita trampo

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