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Foto: Joana Sachet
“Fitas”, primeiro álbum da cantora e compositora Laura Tereza, lançado na última sexta-feira (17 de abril) nas plataformas digitais, tem ar de retrospectiva. As oito músicas do material, tirando a inédita que dá nome ao registro, estão sendo divulgadas desde 2021, como “Coração de papel”, a única canção que não foi produzida por Elieser de Jesus — a gravação ocorreu em Chapecó, cidade natal da artista, no estúdio Casa da Esquina. Esse período alargado de tempo influenciou diretamente na sonoridade do repertório, que tem o folk como estética principal, mas flerta com a nova MPB em “Olha pra mim”, dueto com Murilo Modesto, e outros estilos, como a blueseira “O céu e o teu azul”. “Fitas” marca o encerramento de um ciclo e mira em uma identidade cada vez mais próxima do folk brasileiro e de arranjos orgânicos, com baixo, guitarra, bateria, cordas, banjo, piano e gaita de boca (confira a ficha técnica abaixo).
O disco abre com a faixa “Beija-flor”, com a qual a artista levou o troféu de melhor intérprete no Festival da Canção de Balneário Camboriú de 2022. “Coração de papel” é a música mais antiga do repertório, lançada no ano anterior, e Laura Tereza decidiu preservar a gravação original feita com os irmãos Ricardo e Eduardo Menezes, das bandas Carlota Joaquina e Pinhel e também do estúdio Casa da Esquina, mas divulgou neste ano uma versão acústica da canção (de “Beija-flor” também) para começar a divulgação do álbum. Depois de um ano de inatividade em 2025 após uma sequência de vários trabalhos, a cantora e compositora apresenta “Fitas” sabendo o que quer. Em contato com o Rifferama, Laura Tereza, que faz o show de lançamento do álbum no dia 29 de abril, no Cidró Café Bar (mais informações), falou sobre futuro, o processo de escolha das músicas e sonoridade de “Fitas”.
— São músicas que por mais que tenham atmosferas e arranjos distintos, ainda soam como se fizessem parte de um mesmo lugar. Tem o fato de ter levado esses anos todos produzindo, testando sonoridades, querendo ou não a gente vai mudando o jeito de cantar, a voz muda também, até vejo que construí uma visão nova das coisas e da minha própria música. “Fitas” é um retrato de quem eu fui me tornando, curti demais o processo de ter abraçado essas diferenças, o normal seria a gente não seguir uma direção só. “Coração de papel” quase não entrou, regravar era uma opção, mas não seria a mesma coisa, ela tinha algo tão cru que me remetia ao lugar de verdade, de estar no estúdio fazendo o que eu acreditava, o arranjo, fez total sentido para o conceito do trabalho. Agora quero estar mais próxima de onde comecei, perto das minhas raízes, além de me jogar mais para o folk, espero seguir outros caminhos dentro da música mesmo, seja compondo sobre outras coisas, criando meus próprios arranjos, como aconteceu em “Fitas”, ou atuando mais nos bastidores.
Ficha técnica
Elieser de Jesus: Produção musical (Com exceção de “Coração de papel”, feita pelo estúdio Casa da Esquina)
Laura Tereza: Voz, violão e gaita de boca em “Coração de papel”
Eduardo Menezes: Guitarra em “O céu e o teu azul” e percussão em “Coração de papel”
Ricardo Menezes: Baixo em “Coração de papel”
Ruan Mueller: Bateria em “O céu e o teu azul”
Victor Pradella: Banjo em “Plano A”
Mizael Ambrozio: Viola de arco e violino
Participações: Murilo Modesto (voz em “Olha pra mim”) e Emerson Kremer (voz em “Plano A”)
Arte da capa: Iza Bombo

