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Foto: Maria Clara Souto
Muita coisa mudou na indústria da música desde que Matheus Souto lançou dois EPs gravados ao vivo em 2022. O cantor, compositor, multi-instrumentista e produtor traz em “É urgente!”, álbum que saiu na última sexta-feira (29 de maio) nas plataformas digitais, temas como a pasteurização da arte por IA (Inteligência Artificial), a “uberização” do trabalho e a concentração de renda, além de falar mal de bilionário e ironizar a lógica das redes sociais. Sem perder a veia contestadora dos seus registros anteriores, o artista natural de São Paulo e radicado em Florianópolis segue focado em experimentar novas sonoridades. Dessa vez, Souto, que tocou vários instrumentos e cuidou da parte técnica de áudio (confira a ficha técnica abaixo), misturou gêneros como afrobeat, reggae, funk carioca e soul para formar a estética do álbum — o músico já gravou canções com elementos de salsa, baião, jazz, forró entre outros estilos.
“É urgente!” abre com “Aqualtune”, uma faixa com mais de nove minutos de duração, algo que pode ser considerado um erro para os que defendem boas práticas no mercado vigente, mas é um detalhe para um artista preocupado apenas com a expressão. “Se eu fizer uma música de nove minutos ou três, é quase a mesma chance de dar certo. Não acho que seguir tendências seja um caminho mais fácil. Prefiro criar um público com pessoas mais preocupadas com a arte do que como a música enquanto produto. Isso acaba sendo uma bússola para quem vai chegar o disco”, comentou o músico. O álbum contou com a participação do Coral Infantil do Colégio Municipal Maria Luiza de Melo “Melão”, de São José, e também de diversos amigos, um processo artesanal que é referenciado pela “Música feita por humanos”, faixa que levanta uma discussão importante. Em contato com o Rifferama, Matheus Souto contestou o papel da tecnologia na arte.
— Eu sou radicalmente contra o uso de IA generativa para fins artísticos. Durante a concepção do álbum usei uma ferramenta para tradução em uma música específica. Toda essa capacidade da IA está baseada no roubo de propriedade intelectual, é um processo de transformação gigante, que envolve uma vida inteira para fazer arte, as empresas furtaram esses trabalhos sem pagar nada para ninguém. A finalidade da arte é ser essa ferramenta de expressão, sublimar o ser, tanto de quem está criando quanto para quem consome, e esse simulacro, esse fingimento, essas réplicas que a IA cria carecem desse processo de sublimação. É como se a arte perdesse o propósito, é um Big Mac, uma comida que não alimenta. Falta valor. Por isso esse posicionamento.
Ficha técnica
Captação, edição, mixagem e masterização: Matheus Souto
Voz, guitarra, violão, baixo, teclado, percussão e samples: Matheus Souto
Sopros: Braion Johnny
Baixo: Grego Jardim e Anderson Sávio “Loops On”
Teclado: Vinícius Manhães
Bateria: Gustavo Grillo e Gabriel “Dirtyirie”
Percussão: Dih Neques
Voz de apoio: Maria Clara Souto
Participações: Yasmin Frufrek (voz), Douglas DMT (voz) e Coral Infantil do Colégio Municipal Maria Luiza de Melo
Regência coral: Júlia Darela
Fotografia de capa: Bruno Prada


Excelente matéria, como sempre ❤️