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Foto: Vitor Bossa
Dora Naspolini já morava em São Paulo quando a Em Dó encerrou as atividades no processo de gravação do EP de estreia, em 2022. A mudança de planos fez a artista seguir o rumo acadêmico. Em 2024, após concluir o curso de produção fonográfica no Centro Universitário Belas Artes, a cantora e compositora começou um mestrado na USP, onde pesquisa música experimental, arte sonora e caminhada sonora. No fim do mesmo ano, Dora conheceu Luís Gallindo, que acabou se tornando parceiro na vida e nas artes. No segundo encontro do casal manezinho já saiu música e foi nessa época que o repertório de “Na beira do amor”, trabalho de estreia da LUDUS, nasceu. As quatro faixas foram gravadas no Trampolim Estúdio, com o produtor Fábio Barros, o engenheiro de áudio Elimkary Filho e o baterista André Heidi.
Lançado no dia 26 de junho nas plataformas digitais, o material levou um ano até tomar forma. A dupla se inspirou na teoria “Homo Ludens” (1938), do filósofo holandês Johan Huizinga, para dar ponto final a um processo que é comum a muitos artistas durante a produção de um trabalho. Criar a partir da diversão e brincar com coragem se tornaram lemas para a LUDUS. “Percebemos que éramos artistas melhores naquele estado de brincadeira: livres da tristeza, do julgamento, do medo. Não significa não se importar, ou não ser crítico — isso importa, faz parte de ser artista. Queremos fazer um trabalho que seja pensado. Só aprendemos que o melhor caminho é manter-se honesto, lúdico e intuitivo”, diz o manifesto no site oficial do projeto, que já está produzindo o segundo EP, com mais quatro faixas. No fim do mês, a LUDUS divulga um minidocumentário do processo de gravação de “Na beira do amor”. Em contato com o Rifferama, Dora Naspolini comentou sobre o propósito do duo.
— O Luís chegou na minha vida num momento pessoal forte, foi bem intenso. E a música falava para além do que a gente conseguia muitas vezes explicar. A nossa conexão foi efervescente e intuitiva, as coisas saíam. Ele também tinha um projeto solo (GALLO) antes de me encontrar, a gente convergiu para muitos lados e criamos coisas muito novas juntos. À medida que fomos evoluindo como relação, fomos evoluindo a LUDUS, que significa divertimento em latim. Nesse tempo até lançar as músicas a gente foi desenvolvendo todo o manifesto, as frentes que a gente quer trazer, a estética, o propósito, que é a vontade de romper com o medo da imperfeição, expor as nossas criações e partir para expressão pura. A arte pode ser divertida, simples, mas igualmente potente e forte.

