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Foto: Janis
A Orquestra Patafísica, de Joinville, é uma banda diferente. Formada em Joinville por Thyago Kiam na guitarra e Felipe Raffaeli Muller nos sopros, o grupo reúne elementos como paisagens sonoras e improviso, projeções em vídeo e poesia nas suas apresentações. Cada encontro é único. Com a pandemia, houve uma pausa nas atividades e mudanças na formação — Muller foi morar em Portugal. Seis anos depois do primeiro EP, homônimo, o grupo retornou com dois lançamentos em 2025: a terceira parte do tema “O segundo gigante de pedra” e o EP “Névoa”, gravado ao vivo em Petrópolis (RJ), no estúdio ForestLAB, por Lisciel Franco. O álbum ao vivo no MAJ (Museu de Arte de Joinville), que saiu no dia 20 de junho nas plataformas digitais, mostra a versão em quarteto do projeto, com a entrada de Eder Alex “Jardim de MHz” (teclados), se juntando a Thyago Kiam (guitarra e flauta), Rafael Mann (baixo) e Lucas Sampaio (bateria).
Com sete faixas e mais de uma hora de duração, o disco, captado e mixado ao vivo pelo baterista em um show no jardim do Museu de Arte de Joinville, em outubro do ano passado, traz a estética da Orquestra Patafísica, que teve o nome retirado do Soft Machine, grupo de jazz-rock, fusion e progressivo britânico. O estilo do guitarrista tocar e compor também é inspirado por outra lenda do prog: Robert Fripp (King Crimson). A música da Orquestra Patafísica consiste em instrumentais que exploram paisagens sonoras, texturas de sintetizadores e grooves marcantes, criando uma atmosfera experimental e contemplativa. Em contato com o Rifferama, Thyago Kiam falou sobre o seu envolvimento com esse tipo de música e informou que o objetivo é equilibrar o repertório entre composições mais longas e viajantes com faixas curtas e melódicas.
— Paisagem sonora é um termo amplo. É basicamente uma textura, não tem compromisso com o tempo, embora as notas se harmonizem, não chega a criar uma melodia ou um motivo claro. Isso é uma coisa relacionada com repetição, loops e delays; se você não está criando uma melodia essas coisas vão aparecendo naturalmente. Quando escutei “Frippertronics” pensei “agora acho que vale tocar esse instrumento”. Tem uns dez anos isso, na adolescência eu tocava baixo. Na pandemia comecei a praticar flauta e as coisas meio que se complementaram, esse tipo de técnica, de criar uma paisagem e depois improvisar por cima. Embora a gente tenha essa coisa da imersão, penso que o futuro da banda é misturar, intercalar as duas coisas, fazer peças pequenas com melodia, usando bastante o Eder (tecladista), e outras na linha do space rock. É muito claro onde a gente quer chegar.

