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Kumba mistura Norte e Sul em estreia com guitarrada e rock

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Foto: Thaís Dutra

A estreia do Kumba, trio formado por Andrei Sarmento (baixo e guitarra), Saul Smith (guitarra e baixo) e Diogo Costa (bateria e percussão), com “Telégrafo sem fio”, é repleta de significados. O single, que saiu no dia 27 de maio nas plataformas digitais, faz menção ao bairro onde Sarmento viveu com a avó na infância, em Belém (PA), cidade em que o carioca Smith cresceu, mas também à conexão sonora do grupo, que encurta distâncias e mistura referências do Norte e do Sul. Uma proposta estética autoral, tanto na música, trazendo elementos da guitarrada paraense, carimbó e flertando com o peso do rock e grooves latinos e africanos, mas também visual: encabeçado por Thaís Dutra, a capa apresenta um telégrafo feito manualmente a partir de sucatas do Museu do Lixo de Florianópolis e o título da faixa impresso com estanho derretido no formato dos símbolos do Código Morse.

Com engenharia de áudio assinada por Luan Sanches, “Telégrafo sem fio” traz o baixista Andrei Sarmento fazendo o papel de guitarrista e Saul Smith assumindo os graves. Esse expediente deve ser repetido em gravações futuras e também nos palcos. A banda tem mais dois singles na fila para divulgação antes do álbum completo, “Telégrafo”, que terá sete faixas — “Corre do pega” deve sair em agosto e conta com a participação de Davi Tekle no saxofone e “Wave” traz como convidados Emília Carmona e Mauro Fontoura, ambos do Padendê, banda da qual o baterista e percussionista Diogo Costa também faz parte. O Kumba surgiu no ano passado, quando Andrei Sarmento e Saul Smith, que já tocavam juntos antes, conheceram Diogo Costa em um projeto para tocar música do Norte e Nordeste. “O groove fechou legal e resolvemos desengavetar o nosso projeto com uma nova formação, com o Diogo na bateria”, contou ao Rifferama o baixista e guitarrista Andrei Sarmento, que falou sobre a estética da banda.

— Essa banda nasce dessa migração de paraenses para Floripa. Apesar de a gente não participar ativamente dessas comunidades aqui, a gente ainda tem a cultura do Norte bem enraizada nas referências musicais, que ficam evidentes nessa música. “Telégrafo sem fio” começa com uma guitarrada, que foi uma coisa que me marcou bastante crescendo na casa da minha avó, onde tive as primeiras referências de música e trazer isso para esse single. A ideia é fazer essa mistura com o rock, estilo que todo mundo foi meio que criado, com a bateria e as percussões do Diogo com outros ritmos que são bem interessantes também. Basicamente a ideia do Kumba é fazer essa mistura do Norte com o Sul, pegando as características sonoras de cada local, sempre tendo esse rolê do meu e do Saul de trocar em algumas faixas a guitarra e o baixo.

Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

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