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Em 1975, a família de Carmen Zaglul deixou Beirute para fugir da guerra civil no Líbano rumo à Costa Rica. Ainda criança, em San José, a multi-artista começou a desenhar e, durante a faculdade de Letras, veio a paixão pela Literatura e, por consequência, a poesia. Há quase 20 anos no Brasil, a desenhista, poeta e compositora mora desde 2015 em Florianópolis com a esposa Yazmín Trejos, onde mantém o seu ateliê, um espaço para eventos e também atua como terapeuta holística. A vontade de transformar os seus poemas em música ficou guardada desde a época da faculdade, até que em 2010 foi presenteada pela companheira com uma gravação em violão e voz de um dos seus escritos e viu que o sonho era possível. Mas o projeto saiu do papel somente em 2022, com o lançamento de “Arlequim”, canção produzida e cantada por Felipe Pessoa.
Até o momento, a multi-artista apresentou cinco músicas que compartilham os desenhos feitos em nanquim e a produção com Felipe Pessoa, um processo que envolve escolha dos textos, das cantoras e dos instrumentistas envolvidos nas gravações — Carmen também declama trechos das poesias nas canções. “Intermitente” e “Descompasso” saíram no dia 16 de julho nas plataformas digitais, com as participações de Joana Castanheira e Bruna Nogueira nos vocais, respectivamente, Rodrigo Campos (percussão) nas duas faixas e Juliana Schmidt (violino) na segunda. Em 2023 foram divulgados mais dois fonogramas, “Después”, novamente com Joana, e “Desisto”, com Isadora Machry. Com sonhos em expansão e o desejo de dividir com as pessoas, a artista tem outras três canções para colocar no mundo e planeja fechar esse ciclo com show e exposição. Em contato com o Rifferama, Carmen Zaglul falou sobre o desenvolvimento desse projeto.
— A primeira foi uma coisa tão incrível, tem emoções que não podem ser escritas. É a melhor sensação. Eu adoro desenhar, é a forma que consigo lidar com tudo, mas o fato de ouvir as palavras traduzidas em música me encanta. A música tem esse poder lindo de tocar as pessoas de uma forma mais democrática. Nosso processo (com Felipe Pessoa) é muito lindo. A gente tem evoluído e se entende melhor nessa linguagem única que une todas as coisas. Cada música passo para ele a sensação do poema, o tipo de voz que quero, o ritmo… ver nascer cada uma dessas músicas é uma alegria muito profunda e uma sensação de que tudo é possível se a gente desconstrói o não e o medo. Um álbum, um show e uma exposição são a combinação do sonho. É muito importante pra mim essa sensação de comunidade em tudo o que faço, de como podemos contar as coisas para que todo mundo sinta a proximidade. Seria lindo.
Ficha técnica
Composições, letras e artes de capa: Carmen Zaglul
Produção musical, arranjos e violões: Felipe Pessoa
Vozes: Joana Castanheira em “Intermitente” e Bruna Nogueira em “Descompasso”
Percussão: Rodrigo Campos
Violino: Juliana Schmidt em “Descompasso”
Gravação, mixagem e masterização: Sharlon Oreano

