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Foto: Alexandre Julius Schadeck
“Chiaroscuro”, novo trabalho do Baga-Pirata, apresenta uma banda à moda antiga: tudo remete aos anos 60 e 70 neste lançamento, tocado ao vivo em três noites no palco do Teatro Armação, em Florianópolis (dias 17, 18 e 19 de junho), com a participação de Nico Nicodemus (saxofone, flauta e violão). Da estética psicodélica, que começa na capa feita pelo artista visual Julius Schadeck, passando pela sonoridade orgânica do duo, formado por Adriano “Baga” Rotini (baixo) e Leandro “Pirata” Rosa (bateria), aos instrumentos vintage. As duas músicas do material, “Crimson” e “Coitos”, foram gravadas por Duda Medeiros com os equipamentos (pré-amplificador, compressor e equalizador, por exemplo) que fez à mão. O registro foi mixado e masterizado por Andi Vieira e teve a participação de Andrey Garcia nos teclados — sintetizadores, órgão e piano elétrico.
Outro ponto que difere o Baga-Pirata, que deve seguir como um trio, com Nico Nicodemus nos sopros (Andrey Garcia mora em Lages e participa apenas das gravações), da geração atual, é a dificuldade em lidar com o digital. No momento, “Chiaroscuro” foi publicado apenas no Youtube, assim como o disco “Passarinho Soul”, de 2022, que teve cinco cópias impressas em vinil. “Fiz por extremo preciosismo e por amor. Ficou uma pra mim, uma pro Pirata, vendi duas e tenho outra para vender”, comentou o baixista. Com músicas prontas para gravar, agora em nova formação, o objetivo da banda é continuar lançando material até completar um álbum e fazer uma tiragem maior em LP. Em contato com o Rifferama, Adriano “Baga” Rotini falou sobre a identidade musical do projeto, a aversão às redes sociais (o baterista não tem perfil) e o tempo das coisas.
— A gente grava ao vivo, o Pirata e eu pelo menos. O Andrey é um super tecladista e tem os instrumentos antigos como a gente, mas mora em Lages e isso inviabiliza de tocar juntos. Nosso som tem esse lance do orgânico, nosso foco de estética e de som são os anos 60 e 70. A gente não quer ser igual esses caras, é natural esse nosso tipo de som por ser nossa fonte de inspiração e de pesquisa. Estamos em processo dessas gravações novas, está na mão do Andrey para colocar os teclados e na sequência para o Nico botar as ideias dele, e aí dar continuidade nesses lançamentos. Não para aqui, a ideia agora é movimentar e criar coisas novas juntos agora com o Nico. “Chiaroscuro” foi um pontapé bacana que a gente conseguiu dar. A gente é meio estranho mesmo. Sou de outra geração, de colar cartaz, ligar para as pessoas convidando para ir no show. Não consigo acompanhar esse mundo digital. Nosso timing é meio anos 70 ainda. A gente faz o que acredita, da nossa forma, sem pressa. É um passo de cada vez, com a música em primeiro lugar.
Ficha técnica
Adriano “Baga” Rotini: Baixo
Leandro “Pirata” Rosa: Bateria
Andrey Garcia: Teclados
Gravação: Duda Medeiros
Mixagem e masterização: Andi Vieira

