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Gui Natel exalta a beleza do cotidiano em “Onde o amor está”

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Foto: Ricardo Faion

Após o término da Caraudácia, que lançou dois álbuns e um EP entre 2015 e 2017, o compositor e multi-instrumentista Gui Natel estreou o seu projeto solo com o EP “Terraví” (2018) e gravou dois trabalhos ao vivo, um no TAC (Teatro Álvaro de Carvalho) e outro com o percussionista Jean Boca no seu estúdio, ambos em Florianópolis. A partir da pandemia, o artista atuou em duas frentes, a musicoterapia (também é psicólogo graduado pela UFSC) e como instrumentista, principalmente acompanhando a cantora Dandara Manoela, inclusive em turnês fora do país. Essa experiência foi determinante para o surgimento do EP “Onde o amor está”, divulgado no dia 28 de maio nas plataformas digitais. “Tocar com uma artista de renome me reacendeu esse desejo de costurar um trabalho meu. O meu trabalho como instrumentista me sustentou nesses anos, apenas hoje eu consegui contextualizar e entender como quero fazer essa retomada”, comentou Gui Natel.

O registro, que tem quatro faixas, foi captado ao vivo pelo próprio artista, que contou com Josias Pimentel na guitarra, José Duque no baixo e Simon Aftálion na bateria. A mixagem e masterização é de Flavius Raymundo. “Onde o amor está” traz duas músicas escritas por Gui Natel e parcerias com Vitor Soltau em “Ao som da vida” e a própria Dandara Manoela na faixa título — a canção “Pela raiz” será regravada com a participação da cantora. O repertório do EP é diverso, unido pela estética acústica, mas misturando os sotaques dos envolvidos: Josias Pimentel tem forte ligação com o jazz brasileiro e a música instrumental, enquanto José Duque vem da Colômbia e Simon Aftálion é uruguaio de nascença. Ciente de como deseja trabalhar, o artista tem muito material para lançar no futuro. Em contato com o Rifferama, Gui Natel falou sobre o conceito de “Onde o amor está”.

— Era uma grande busca, além da sonoridade, nessa visão de estar na área da saúde e de ser músico, entendi que para a minha personalidade e maneira de estar no mundo, o que mais me interessa é a contemplação do cotidiano, a música feita como mais uma coisa na nossa vida, uma necessidade que a gente tem. Esse trabalho é uma exaltação de uma coisa que muitas vezes a gente pode se incomodar, da rotina, mas a música faz a gente lidar com isso, se entender como um operário da arte, um servidor das outras pessoas, e como isso tem uma beleza intrínseca, que não se acaba. Quando a gente vê beleza na banalidade, no cotidiano, a gente vê beleza em tudo. Viver só coisas extraordinária é insustentável. Não quero me preocupar em dar conta do algoritmo, com tudo o que há de vir. Esse trabalho é por si só importante pra mim, tem muita história, carinho e dedicação. Quero fazer tudo com cuidado.

Ficha técnica

Composição, arranjo, voz, violão, captação e edição de áudio: Gui Natel
Guitarra: Josias Pimentel
Contrabaixo: José Duque
Bateria: Simon Aftalión
Mixagem e masterização: Flavius Raymundo
Arte da capa: Isabella Veronese
Fotografia da capa: Ricardo Faion

Daniel Silva é jornalista e editor do portal Rifferama, site criado em 2013 para documentar a produção musical de Santa Catarina. Já atuou na área cultural na administração pública, em assessoria de comunicação para bandas/artistas e festivais, na produção de eventos e cobriu shows nacionais e internacionais como repórter de jornal.

Um comentário

  1. O álbum "Onde o amor está" do Gui Natel chegou carregado de muita sensibilidade e, dessa forma, nos toca profundamente.

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