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Foto: Guilherme Cavichioli (edição de Eduardo Chagas)
“viva”, segundo álbum de estúdio da cantautora Amanda Cadore, lançado na última sexta-feira (29 de maio) nas plataformas digitais, é a fotografia de uma fase muito bonita da artista radicada em Santa Catarina. Desde 2018, quando divulgou o seu primeiro single, “Travesseiros”, na época vivendo na região de Chapecó, Amanda vem construindo uma discografia cada vez mais abrangente na estética, incorporando ritmos latino-americanos e brasileiros, ainda que preservando a sua raiz no folk (também de folclore). A experiência de tocar, criar e conviver com uma banda multicultural, formada pelo cabo-verdiano Jeff Nefferkturu (guitarra, baixo fretless e teclas), pelo baiano Grego Jardim (baixo e violão) e pelo conterrâneo gaúcho UBrother (percussão), transformou o álbum que teve o repertório criado a partir do violão da cantora e compositora, em uma experiência sonora rica, misturando intimidade e experimentação.
Amanda assina oito das 11 faixas do registro, que foi gravado entre agosto de 2025 e março deste ano em estúdios pelas cidades de Garopaba, Florianópolis, Porto Alegre e Rio de Janeiro: “00:00”, “passeio” e “apunada en el mar” são parcerias com Nefferkturu, Tiago Bra e Mariana Baraj, respectivamente. Produzido por Jojô Inácio (Johnny Hooker, Catto, Tagua Tagua, entre outros), o álbum teve a sua base gravada ao vivo, o que conferiu ao material bastante cor e ambiência, trazendo um pouco de cada um nas referências. “viva” tem a guitarra afro de Jeff Neferkturu, o baixo suingado de Grego Jardim e os instrumentos de percussão feitos com objetos reciclados que UBrother utiliza nas suas pesquisas sonoras. Em contato com o Rifferama, Amanda Cadore falou sobre o processo que resultou nesse disco.
— Eu considero que esse disco é um registro sonoro de uma jornada musical que a gente já estava percorrendo, tanto eu quanto o grupo, a minha jornada interna, intuitiva, e afetiva do nosso trabalho, de a gente explorar a pesquisa de cada um e tentar extrair coisas que a gente quer que fique por uma questão de intimidade e de música que está viva mesmo, acontecendo baseada em pura troca e experimentação. O disco é e não é de canções, esteticamente não parece, mas no coração é. Todas as composições surgiram da minha relação com o violão, mas a gente leva para esse formato que provoco um protagonismo dos meninos. A gente conseguiu lapidar isso e tocar muito ao ponto de gravar toda a base do disco tocando junto, deixando esse calor que a gente tem um com os outros, essa afinidade musical. O nome do disco tem tantas camadas por causa disso, diz muito sobre o que acredito que é fazer música, o poder de atravessar as pessoas e ser ponte para transformar os encontros numa linguagem única.
Ficha técnica
Voz, violão e direção de arte: Amanda Cadore
Guitarra, baixo fretless, sintetizadores e piano elétrico: Jeff Nefferkturu
Baixo e violão: Grego Jardim
Percussões: UBrother
Trompete: Bubu Silva
Saxofone: Marcelo Costa (Índio)
Trombone: Antônio Neves
Flautas, clarinete e saxofone em “Sem filtro”: Dirceu Leite
Participações especiais: Mariana Baraj (voz e bombo legüero) em “Apunada en el mar”, Mari Jasca (voz) em “00:00”
Capa: Ana Orlandin
Produção musical, guitarra e sintetizadores: Jojô Inacio
Mixagem: Tiago Abrahão
Masterização: Andrés Mayo
Produção executiva: Thiago Piccoli

