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Fotos: Dário Aguiar e Diogo Librelon
Em 2016, o cantor e compositor Luiz Góes deixou Rondonópolis (MT) para reencontrar os amigos da banda OCD (Original Cerrado Dub) — todos os quatro integrantes passaram a morar na Ilha. O músico, que também tinha um projeto paralelo, só esperou pegar o diploma em Psicologia para se fixar em Florianópolis, onde manteve a parceria com Andrew Fya mesmo após o término dos dois trabalhos: desde o seu primeiro EP, “Luz & caos” (2020), os dois artistas gravaram quatro singles juntos. “Nos primeiros anos toquei bastante na noite, me inseri bem com esses dois projetos. Sobramos o Fya e eu. Cada um tomou o seu rumo, seguindo o seu trampo solo, mas sempre trabalhando junto, estamos sempre conectados”, contou Góes, que está divulgando o seu novo EP, “Panela depressão”. Até o momento já foram apresentadas duas faixas, “Sem moscar” (28 de agosto) e “Tenta não” (9 de outubro), “Burn” chega nas plataformas digitais no dia 13 de novembro.
O conceito de “Panela depressão” surgiu em um momento em que o artista estava afastado na música. Durante a pandemia, o cantor e compositor começou a trabalhar com delivery de comida vegana com a companheira, vendendo marmita durante o dia e hambúrguer à noite. A rotina exaustiva na cozinha impediu que Góes tivesse tempo para trabalhar no projeto, o que afetou a sua saúde mental. O título para o EP fez todo sentido, mas somente neste ano que conseguiu voltar para o estúdio e gravar as músicas, que falam sobre autocuidado e também política. Outro ponto marcante em “Panela depressão” é a mistura de ritmos. Formado entre o reggae e o rap, “Sem moscar” traz uma combinação incomum de UK drill e raggamuffin. O EP ainda traz elementos de funk brasileiro e uma sonoridade pesada. Em contato com o Rifferama, Luiz Góes falou sobre a estética de “Panela depressão”.
— A pressão do trabalho nesse sistema capitalista, as barreiras sociais, a nossa alimentação, são os temas que permeiam a minha vida. Estudei Psicologia, tenho um compromisso com esse debate. Nesse contexto comecei a praticar a corrida, trabalhava até a noite e saía pra correr. Essa energia do drill casou certo com o que eu estava sentindo, era intenso, pesado, caótico por dentro. Escrevi essas três músicas nesse contexto, por isso as músicas trazem essa atmosfera densa, falando sobre angústia, do cara tentando sair da lama, não consegue, mas tem fé. Demorei um tempo pra conseguir me organizar e lançar. Às vezes o meu trampo causa um pouco de choque. A pessoa me vê de dread e não imagina que eu faço rap. O drill valoriza muito a rima e o flow, caiu como uma luva pra mim, que gosto de escrevei muito, bastante verso e palavra. E trago o flow do ragga, o jeito de cantar em cima do beat de drill, trazendo pra essa referência brasileira.
Ficha técnica
Arte das capas: Lauren Borel
Captação, produção, mixagem e masterização: ZionLab.
Beats : ZionLab., com exceção de “Burn”, de Andrew Fya e ZionLab

