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Foto: Renan Fotoarte
A rapper Stephanie Aguiar Costa, que se apresenta como Stelly nas batalhas de rima e plataformas digitais, veio para Santa Catarina ainda criança. Nos primeiros meses vivendo em Palhoça, quando tinha nove anos, a sua mãe foi diagnosticada com uma doença rara, que impediu a família de voltar para São Paulo devido o tratamento que ela ainda recebe aqui no estado (viva o SUS!). “O tratamento que ela tem aí nunca teria em São Paulo”, disse a artista, que retornou para a cidade natal para tentar a sorte na música. Com a maturidade de quem teve que crescer cedo e assumir as tarefas de casa, Stelly expõe as suas vivências no EP “Ruas do bairro”, lançado no dia 18 de setembro via Braba Music, selo da MC Versa. As seis faixas foram gravadas em Florianópolis, com produção de João Victor Alves da Silva, o MDC (Mano da Caixa).
As coisas vêm acontecendo rápido para a Stelly, que começou a participar de batalhas de rima em 2024 e poucos meses depois já estava representando Palhoça na etapa regional do Duelo de MCs. Em São Paulo, a rapper participou da Batalha da Aldeia, uma das maiores competições de freestyle do país. A experiência nessa modalidade desenvolveu a escrita da artista, que canta em várias vertentes, do boom bap ao funk, mas tem se especializado no trap. O suporte e incentivo de MC Versa também vem sendo um diferencial nessa curta caminhada. “Quanto mais comecei a acessar as batalhas e a cena de SC, conheci a Versa e pedi para fazer um show com ela. O show era no dia seguinte, ela disse que não daria tempo para divulgar, mas me juntei com os amigos da Batalha do Madri (Palhoça) e lotamos a casa, foi incrível. A gente nunca parou de trabalhar juntas”, contou. Sem tempo a perder, Stelly falou ao Rifferama sobre os planos para o futuro e o EP “Ruas do bairro”.
— A Versa deu a ideia do EP e comecei a trabalhar a imaginação, foi aí que trouxe o nome. Cada faixa traz uma ideia diferente. Como fui uma pessoa que sempre mudou de lugar, meus pais já foram despejados, morei em vários lugares: Bairro Ipiranga, Zanelatto, Pedregal, Bela Vista, Caminho Novo. Esse EP traz a vivência de cada lugar que passei, com sonoridades diferentes. Explorei bastante os flows para quebrar essa estatística de que mulher não sabe fazer trap, que a gente só fala sobre as causas que a gente já luta. Trabalhei com o primeiro produtor que acreditou em mim, gravamos as faixas em Floripa e voltei para São Paulo continuar o corre das batalhas. Temos outros sons na gaveta que queremos lançar, principalmente no trap, vertente que quero me especializar. Em 2027 o foco será na construção de um álbum e feats com pessoas consolidadas na cena, mostrar que é possível sonhar e acessar caminhos diferentes. Fazer música é tudo o que eu tenho.

