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Mia Lima leva à risca o termo artista independente. A cantora e compositora nascida em Seara, no oeste de Santa Catarina, está acostumada a fazer tudo sozinha desde a sua estreia, em 2020, com o EP “Heather, você deveria saber” (retirado das plataformas digitais) — produção musical, figurino, marketing, organização de eventos, etc. Em 2021, Mia, que hoje vive em Chapecó, onde trabalha como professora de inglês na rede estadual, lançou mais dois EPs, “For you” e “Se eu cantar para você”, com três faixas cada, e passou por algumas dificuldades que a afastaram da música nos últimos anos. O single “Tudo pra te agradar”, divulgado em 20 de março, marca o retorno da catarinense à cena independente após mais de quatro anos de hiato. E com uma nova sonoridade. O que não mudou foi a forma de fazer as coisas: com exceção da fotografia, a artista foi responsável por todo o processo.
Se os EPs anteriores tinham uma estética minimalista, baseada apenas no ukulele e voz, “Tudo pra te agradar” tem uma roupagem pop com referências latinas. Sem recursos para produzir em estúdio, a cantora e compositora investiu R$ 50 na versão premium de um aplicativo e criou todo o instrumental com o auxílio da inteligência artificial. Com uma progressão de acordes no violão e áudios da canção original, a artista foi escrevendo os prompts e modificando a música até chegar no resultado que queria. Com as possibilidades oferecidas pela tecnologia, Mia está produzindo mais duas canções utilizando o mesmo expediente. Uma delas deve sair ainda neste ano, quem sabe com um videoclipe, só falta decidir qual será finalizada primeiro, se “Paciência”, que é mais brasileira, ou “Pode esperar”, um pop/rock. Em contato com o Rifferama, Mia Lima comentou sobre o seu retorno com “Tudo pra te agradar” e os próximos planos.
— Em Seara não tinha muitas opções, não cheguei a fazer nenhuma apresentação, quando vim para Chapecó encontrei algumas pessoas que me auxiliaram a me recolocar na noite, cantei em bandas diferentes, tive um grupo de pagode e nesse meio tempo trabalhando em composições minhas. “Tudo pra te agradar” é diferente de como ela surgiu. Fui enviando áudios, cantando e fazendo as melodias e sons que gostaria de utilizar, analisava se era aquilo, gerava outros, até atingir a nuance que eu estava esperando. Depois de extrair esses áudios da IA, passei para um aplicativo de estúdio para ver a equalização, colocar algum efeito, os vocais utilizei o meu celular, fiz tudo da minha casa. Eu tinha um fone e um sonho, literalmente. Tenho mais algumas músicas que estou produzindo dessa maneira, ainda estou decidindo qual das duas estou trabalhando, uma traz uma percussão mais pesada e a outra tem uma guitarra mais carregada, uns metais. Gostaria de apostar em algo diferente.
Foto: Suzane Gobbi

